Capítulo 6: As inquietações da vida começam com o conhecimento das letras

Kembali ke Dinasti Han Menjadi Seorang Guru Hao Zhao 2660kata 2026-03-13 14:39:58

        Os dois correram apressados de volta à casa dos Yan e, aproveitando a ausência de Yan Shan, esconderam-se imediatamente no quarto para folhear o livro.
        — Senhor, tem certeza de que reconhece todos os caracteres? — perguntou Yan San, cauteloso.
        Desde pequeno, acompanhava Yan Ming em todas as traquinagens.
        Yan Shan contratara o senhor Huang para instruí-los, mas Yan Ming era sempre o primeiro a liderar a rebeldia, por isso ambos tinham conhecimentos semelhantes — pouco acima da ignorância, mas longe de serem letrados, a ponto de fazer qualquer um rir se dissessem que sabiam ler.
        Yan Ming revirou os olhos e respondeu:
        — Se não soubesse ler, por que haveria de roubar livros?
        Dito isso, deixou de prestar atenção a Yan San e abriu o volume intitulado “Notas das Dinastias Passadas de Huang Shang”.
        “A majestade do imperador reside em seus preceitos, a virtude do soberano em sua conduta; os historiadores destacam os Três Augustos e os Cinco Imperadores. Na verdade, os próprios Três Augustos e Cinco Imperadores jamais se autodenominaram assim; foi a posteridade, ao vê-los inaugurar a ordem e criar a civilização, transformando um mundo caótico em um Estado harmonioso e solene, que, admirada por sua grandeza, decidiu atribuir-lhes os títulos de ‘Augusto’ e ‘Imperador’.
        Com as três dinastias de Xia, Shang e Zhou, Dà Yǔ, Cheng Tang e Wen Wu, todos foram soberanos sábios, mas, temendo não se igualar aos antigos, jamais ousaram adotar tais títulos, contentando-se com o de ‘rei’. Quando o Leste Zhou enfraqueceu e o Oeste Qin ascendeu, Ying Zheng, tirano violento, apoiando-se no legado ancestral e arregimentando centenas de milhares de robustos do Guanzhong, percorreu o império como um vendaval, devorando reinos um após outro, até afinal reunir as nove províncias sob seu domínio. Considerando-se incomparável na história, fundiu os títulos de ‘Augusto’ e ‘Imperador’ em um só: ‘Imperador’…”
        Ao ler essa introdução, Yan Ming não pôde deixar de louvar em silêncio: “Que prosa magnífica.”
        Sentiu-se menos propenso a zombar do senhor Huang e passou a admirá-lo ainda mais. Pensou em sua conduta arrogante no pátio dos Huang e sentiu-se sinceramente arrependido.
        Tinha, desde sempre, gosto pela leitura; assim que abria um livro, mergulhava nele profundamente.
        Yan San, por sua vez, olhava estupefato.
        Em sua memória, seu jovem senhor sempre fora travesso e desordeiro — quando o vira, alguma vez, estudar com afinco? Dias atrás, ao tentar cortejar Cui, a jovem do lado oeste, quis escrever uma carta de amor, mas não sabia; rabiscou uns traços indecifráveis que, entregue à moça, foram incompreendidos e acabaram jogados na latrina.
        Este episódio fora, para Yan Ming e Yan San, um dos grandes vexames e humilhações em Maoling. Yan San recordava-se como se fosse ontem.
        Como, então, passados apenas alguns dias, Yan Ming, quase analfabeto, conseguia agora ler de ponta a ponta um volumoso tratado histórico?
        “A velha senhora sempre disse que nosso jovem mestre é como um dragão adormecido que, um dia, surpreenderá a todos. Parece que ela tinha razão.” Quanto mais pensava, mais Yan San admirava o jovem à sua frente.
        Por um instante, Yan San sentiu que Yan Ming era quase uma divindade.
        Imerso nas notas históricas do senhor Huang, Yan Ming perdeu toda noção do tempo.
        Este livro histórico, para ele, tinha um valor e significado indizíveis.
        A obra de Huang Shang era rica e detalhada, narrando com clareza a ascensão da dinastia Qin e, ao final, abordava até a história do imperador fundador Liu Bang.

        “A ascensão dos Ying, a unificação dos Seis Reinos, Zhao Gao subvertendo o governo, Fusu morto injustamente, a rebelião de Chen Sheng e Wu Guang, o ancestral cortando a serpente branca, a disputa com Xiang Yu pelo império, até forçar o rei Chu, Xiang Yu, ao suicídio no rio Wu… Tudo isto coincide com a linha do tempo histórica. Neste mundo, embora a escrita seja simplificada, o curso geral da história parece não ter mudado.”
        Embora os olhos de Yan Ming estivessem avermelhados de cansaço, havia neles um brilho de entusiasmo.
        Com um estrondo, fechou o livro e exclamou:
        — Excelente!
        — Senhor, vo-você acordou! — veio a voz trêmula de Yan San.
        — Que bobagem, quando foi que eu dormi… — Yan Ming ia dizendo, mas calou-se abruptamente.
        O quarto, agora, estava repleto de gente.
        À frente, estava a velha matriarca Yan, senhora Chen.
        Ao lado dela, Yan Shan exibia um olhar onde alegria e ansiedade se misturavam.
        Atrás de Yan Shan, as esposas e concubinas exibiam ainda a inquietação não dissipada em seus rostos.
        — Avó, pai, o que aconteceu? — Yan Ming sentiu o coração apertar. Teria o verdadeiro Yan Ming retornado, e ele, o impostor, sido desmascarado?
        — Ai, meu neto, você passou uma noite e um dia inteiro lendo sem parar! Pensamos que estivesse enfeitiçado. Se não fosse seu pai impedir, eu mesma já teria tirado esse livro de suas mãos! — A velha senhora Chen, dizendo isso, deixou correr lágrimas sinceras de preocupação.
        A segunda esposa, senhora Sun, apressou-se a enxugar as lágrimas da matriarca com um lenço, consolando-a:
        — Nosso jovem nunca foi afeito aos estudos; de repente se dedica com afinco, assustando toda a família. Mas, mãe, isto é coisa boa, não chore mais.
        Virando-se, Sun dirigiu-se a Yan Ming:
        — Estudar é louvável, mas cuide também do corpo, não se extenue, senão preocupa sua avó e seu pai.
        Yan Ming só então percebeu que se perdera na leitura por uma noite e um dia inteiros; já era o entardecer do segundo dia após o roubo do livro.
        Com tal advertência, o cansaço abateu-o de súbito.
        A velha senhora Chen, sempre atenta ao neto, ao notar-lhe o semblante fatigado, apoiou-se no bastão e ordenou que descansasse bem, saindo do quarto com as demais senhoras.
        Quando todos se retiraram, Yan Shan fez um sinal a Yan San.
        Yan San, obediente, saiu do aposento, deixando pai e filho a sós.
        — Filho, todos esses anos você fingiu não saber ler? — Yan Shan estava emocionado; sempre desejara que o filho estudasse e se libertasse do destino de comerciante, trilhando o caminho dos oficiais.
        Agora, ao ver Yan Ming inclinado sobre os livros, sentia uma emoção inexprimível.

        Yan Ming contemplou Yan Shan, cuja silhueta se fundia, aos poucos, com a imagem paterna de suas lembranças.
        Não queria enganar Yan Shan, mas tampouco tinha alternativa; após breve hesitação, respondeu:
        — Sei, sim, alguns caracteres; mas não me recordava de tantos assim.
        — E consegue compreender este livro? — Yan Shan insistiu.
        — Desde que me perdi nas pradarias e retornei, tenho a impressão de que tudo o que antes não entendia agora me é claro como a luz do dia.
        Enquanto falava, Yan Ming observava as reações do pai.
        Como Yan Shan não demonstrou grande surpresa, Yan Ming sentiu-se mais à vontade para continuar.
        Com todo o esforço, invocando deuses e santos, Yan Ming conseguiu explicar-lhe o milagre de seu súbito entendimento.
        Yan Shan, alheio ao embuste do filho, via a expressão variar ao ritmo das palavras de Yan Ming.
        Por fim, levantou-se e, olhando para o filho, declarou com alegria e solenidade:
        — Já que o Céu concedeu à nossa família um filho prodigioso, Yan Ming, não podes desperdiçar essa graça; deves trazer honra à casa dos Yan. Não podemos ser comerciantes para sempre e terminar na obscuridade.
        Aquelas palavras fizeram Yan Ming rir e chorar ao mesmo tempo.
        Eruditos, agricultores, artesãos e comerciantes — os quatro estamentos. O comércio, embora desprezado, era, ele sabia, o verdadeiro motor do mundo.
        Se Yan Ming soubesse que, no futuro, os grandes conglomerados mercantis teriam poder de manipular até mesmo governos e derrubar pequenos países incapazes de resistir ao capital, talvez vomitasse sangue ali mesmo.
        Por fora, prometeu a Yan Shan que seguiria a carreira oficial, mas por dentro decidiu jamais tornar-se um funcionário sob o imperador Wu — a taxa de mortalidade era demasiado alta.
        Quando Yan Shan finalmente se retirou, Yan Ming deitou-se em seu leito e adormeceu profundamente.
        Naquela noite, sonhou que transitava entre realidade e ilusão: ora estava de volta ao cursinho, assistindo aulas, prestando exames, ensinando; os alunos respondiam às provas e Yan Ming também. Mas, no sonho, as questões que costumava dominar tornaram-se intratáveis, obrigando-o a recorrer a cola.
        Justo quando sacava um bilhete, o professor aplicador bradou em alto e bom som:
        — Que bela travessura é essa!
        Yan Ming despertou num sobressalto, vendo que o dia já raiava.
        Se na véspera Yan Shan lhe falara com brandura, agora, bufando de raiva, estava ali à cabeceira de seu leito.