Capítulo 8: Estrutura
Quando o motim irrompeu, os aldeões ainda se batiam ferozmente com os salteadores, mas, à medida que o velho patrão tombava ao chão, cada vez mais aldeões se transmutavam em bandidos, saqueando o celeiro do velho patrão. Os poucos animais de grande porte pertencentes à família, naturalmente, tornaram-se o primeiro alvo dos ladrões. Nesse instante, Chu Ming já se refugiara num dos quartos laterais. Entre todos, apenas Shuan Zhu e o jovem patrão ainda resistiam; o restante já se convertera em bandoleiros. O jovem patrão, empunhando um rifle Mauser, abateu sucessivamente vários bandidos, até que um deles, aproximando-se sorrateiro, cravou-lhe uma lâmina afiada nas costas, atravessando-lhe o coração. O jovem patrão tombou ao chão, urrando de dor, o peito jorrando sangue em profusão, a vida esvaindo-se rapidamente—uma ferida que, mesmo nos hospitais do mundo real, dificilmente seria salva, pois o sangue se ia célere demais.
Xia Lu, carregando um saco de farinha de milho roubada, passou então junto ao jovem patrão, que, num último estertor, agarrou-lhe o tornozelo.
— Xia Lu... foi direto no coração... salva-me... — O jovem patrão, com o sangue a manar do peito, implorava, mas Xia Lu, depois de lançar olhares furtivos em redor e certificar-se de que ninguém o observava, desferiu-lhe um pontapé, fazendo-o rolar ao chão, e ainda pisou-lhe com força.
— Não penses que não sei que querias roubar-me a mulher! — exclamou Xia Lu, afastando-se em passo largo, levando o saco de farinha às costas—um fardo de facilmente dezenas de quilos, suficiente para alimentar a família por um mês. Em tempos de fome, duas papas ralas por dia bastavam para sobreviver.
Logo depois, ouviram-se os lamentos da velha pela morte do filho, e Chu Ming preparou-se para agir. Assim que obtivesse uma arma, deixaria aquele lugar. Nesse momento, um bandido saiu em disparada do quarto interno da casa dos Zhang, levando consigo uma caixa de joias, não muito pequena. Chu Ming lembrou-se então do episódio futuro em que o porta-joias da jovem senhora desapareceria, levando-a às lágrimas e a suspeitar injustamente de Shuan Zhu.
“Joias... ao menos devem ser de ouro ou prata. Se eu as trouxer para o presente, valerão uma fortuna.” O olhar de Chu Ming recaiu sobre o bandido de corpo magro e o bastão de madeira em suas mãos. O coração de Chu Ming acelerou descompassadamente. Enchendo-se de coragem, respirou fundo e, sem titubear, agarrou um pedaço de madeira grosso como um braço e, num grito, golpeou a nuca do bandido. A casa dos Zhang estava em total desordem—quem se importaria com um simples criado como Chu Ming?
O bandido tombou de imediato, sem luta; tudo se deu num instante. Surpreendido pelo ataque pelas costas, o bandido largou o porta-joias, que caiu ao chão. Chu Ming, apressado, tocou-lhe com a mão esquerda e imediatamente o recolheu para seu espaço oculto. Seu coração parecia prestes a romper o peito—em toda a sua vida, jamais derrubara alguém com um cacete.
“Matar um bandido: um ponto de mérito”—a voz de Lao Yin ecoou então na mente de Chu Ming.
— O quê? — espantou-se Chu Ming, lembrando-se de que Lao Yin dissera que dez mil pontos de mérito podiam ser trocados por um ponto de troca. “Ora, se preciso matar dez mil bandidos para trocar por um ponto, e a mais básica técnica de cultivo, o ‘Peiyuan Gong’, exige cem pontos de troca, isso significa um milhão de bandidos! Céus!” Em poucos segundos, Chu Ming calculou o que seria necessário para obter a técnica de cultivo: um milhão de bandidos, ainda que estes se deixassem degolar, levaria meses...
— Lao Yin, estás a brincar comigo! Tem algo errado aqui—eu matei um homem! — Por fim, Chu Ming percebeu a gravidade do feito. Criado em tempos de paz, jamais furtara ou pelejara, quanto mais matara alguém. E agora, findara uma vida com um só golpe.
— Sim, mataste. E com que força! Um golpe desses na nuca, era impossível sobreviver — Lao Yin, indiferente, acrescentou lenha à fogueira.
O rosto de Chu Ming empalideceu. Cambaleou alguns passos e só não caiu porque se apoiou na parede. A náusea o invadiu, e ao fitando o cadáver aos seus pés, sentiu a mente tomada pelo caos.
— Não foi de propósito... só queria desmaiar-te, juro — murmurou Chu Ming ao cadáver. Meia hora se passou até que ele se erguesse do chão. Lançou um último olhar ao corpo, depois encaminhou-se até o cadáver do jovem patrão. A essa altura, a velha casa dos Zhang já ardia em chamas, devorada por labaredas. Bandidos e aldeões haviam fugido. Shuan Zhu, em desespero, lograra salvar algum cereal do armazém e até recuperara um burro dos bandidos. Havia ainda um esconderijo subterrâneo na mansão, com bastante alimento para que a família não morresse de fome de imediato.
A velha e o patrão choravam o filho, agarrados ao corpo sem vida. Xingxing e a jovem senhora esconderam-se no subterrâneo, sem jamais sair; o patrão temia que fossem violentadas pelos bandidos.
Chu Ming aproximou-se do cadáver do jovem patrão e, ao tocar o rifle, recolheu-o ao seu espaço oculto. O coldre ainda pendia da arma, com talvez vinte ou trinta cartuchos. Com tal rifle, já não temia pequenos bandos de bandidos. Contudo, para um principiante, a arma mais adequada à defesa ainda seria um revólver—de fácil manejo e ideal para o combate próximo—mas era impossível de conseguir; um revólver, naqueles tempos, era mais raro que um rifle, à exceção da “caixa de tartaruga”.
— Senhor patrão, aceite meus pêsames. A família Zhang está perdida, não quero mais o meu salário. Parto agora — anunciou Chu Ming, erguendo-se para partir. O patrão, entre lágrimas, ao perceber que Chu Ming partia, agarrou-lhe o braço, olhos cintilando de súbita astúcia.
— Chu Ming, não pode ir! Meu filho morreu, restam apenas velhos e crianças; dependemos de ti e de Shuan Zhu. Se te fores, não viveremos muito. Fica, por favor! Tenho dinheiro e bens guardados em outros lugares. Se ficares, podemos negociar o pagamento! — implorou, não largando a mão de Chu Ming.
Chu Ming hesitou ao ouvir tais palavras. O patrão devia possuir algumas antiguidades; em tempos conturbados, valiam pouco, mas no mundo real seriam tesouros.
“Talvez seja melhor ficar e observar. Sozinho, sem conhecidos, pouco poderia fazer em pouco tempo. O cereal tornar-se-ia bem raro em toda a China Central. Poderia, por meio do patrão, conhecer pessoas influentes e trocar comida por antiguidades, ou até mesmo negociar com o exército. Armas não posso fornecer, mas medicamentos, sobretudo antibióticos, seriam preciosos—lembrava-me bem de que, nesta época, antibióticos valiam ouro.” Retido pelo patrão, mil pensamentos cruzaram a mente de Chu Ming.
— Está bem, senhor patrão, fico. Mas agora a família Zhang não é mais a de outrora. Se quer que eu fique, não quero o seu dinheiro, nem o seu cereal. Quero antiguidades, duas peças verdadeiramente valiosas. Enquanto viverem, eu os protegerei. Quero vê-las amanhã, ou parto de imediato — declarou Chu Ming. O patrão, que já planeava seduzi-lo com dinheiro, não esperava que ele exigisse antiguidades em vez de prata ou cereal. Isso facilitava tudo—antiguidades, nesse tempo, não valiam quase nada; valiam menos que potes para conservar picles. Que ficassem com Chu Ming, pensou o patrão, que não lhes dava valor.
— Está bem. Vai com Shuan Zhu até o túmulo ancestral e cava uma cova. Meu caixão ficará para meu filho. Enterrem-no esta noite e amanhã trago-te as antiguidades. — O patrão, homem vivido, sabia que lamentar não traria o filho de volta e era preciso pensar no futuro. Ainda tinha filha, e a nora estava grávida; a linhagem não se extinguiria.
Shuan Zhu, obediente, ajudou Chu Ming a preparar o corpo do jovem patrão, que, após ser limpo e vestido, foi posto no caixão. Juntos, cavaram um túmulo no cemitério ancestral dos Zhang. Tudo teve de ser feito de modo simples e apressado. Ainda naquela madrugada, o jovem patrão foi sepultado. A velha senhora e a nora, com o ventre já volumoso, choraram inconsoláveis diante do túmulo, queimando pilhas de papel-moeda votivo.
Na manhã seguinte, os aldeões, munidos do cereal saqueado da casa dos Zhang, preparavam-se para fugir em massa da fome. Antes, não ousavam partir, pois sem mantimentos seria morte certa. Agora, com algum alimento, era hora de arriscar. Em toda a China Central, comida escasseava; ficar seria morrer de fome.
(Fim do capítulo)
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