Capítulo Oito: Wuchang

Kembali ke Dinasti Ming Selatan Menjadi Seorang Pangeran Sarang Ikan 2937kata 2026-03-15 14:41:03

Quando Wang Huchen entrou em De’an, contava apenas com trezentos ou quatrocentos soldados remanescentes, exaustos e derrotados; ao deixar De’an, porém, partiu à frente de um contingente que ultrapassava os dois mil homens. A habilidade de Wang Huchen em arregimentar tropas era assombrosa—não apenas as forças de Zuo Liangyu recrutavam dessa maneira, mas os demais generais-mor da dinastia Ming faziam o mesmo; até mesmo os exércitos camponeses recorriam a tal expediente. Não foi por outros meios que, em apenas um ou dois anos, conseguiam reunir exércitos de dez, vinte ou mesmo trinta mil homens? Assim se formavam as fontes de recrutamento.

O povo do Império Ming sofria demasiado.

Wang Huchen partiu à frente de três mil soldados, deixando para trás uma cidade de De’an devastada, mergulhada em morte e desolação.

Deixando a cidade, atravessaram Gaohe, seguiram por Yunmeng, entraram em Xing’an, passaram por Xiaogan e, por fim, cruzando o rio Maxihe, chegaram à jurisdição de Wuchang.

Foi no caminho que souberam da queda de Xiangyang e da retirada de Zuo Liangyu, que conduziu suas forças principais para Wuchang. Wang Huchen, que inicialmente pretendia ir a Xiangyang para pedir reconhecimento a Zuo Liangyu, acabou por acompanhar Zhu Linze rumo a Wuchang.

Wang Huchen era um homem rude, alheio às complexidades do destino do império. Ao saber que o exército rebelde realmente avançara para o oeste e ocupara Xiangyang, não pôde deixar de admirar Zhu Linze, comparando-o a Zhuge Liang.

Ao adentrar a cidade de Wuchang, Wang Huchen conduziu suas tropas, trazendo entre cinco e seis mil cabeças decepadas como troféus para relatar a vitória e reclamar sua recompensa junto a Zuo Liangyu—e, embora muito daquilo fosse ilusório, a vitória em Runing fora genuína e indiscutível.

Desde a batalha de Zhuxianzhen, as tropas de Zuo Liangyu ou se encontravam em fuga, ou já haviam se desintegrado em retirada; seu desempenho era, em suma, deplorável.

Embora o Imperador Chongzhen ainda protegesse Zuo Liangyu, ministros na corte murmuravam críticas; Zuo necessitava desesperadamente de um feito militar para calar as bocas dos cortesãos.

As conquistas de Wang Huchen eram chuva no deserto para o atribulado Zuo Liangyu.

—Muito bem! Muito bem! Huchen, desta vez obtiveste um mérito extraordinário! Uma vitória grandiosa! Uma vitória sem precedentes, que lava a vergonha de Zhuxianzhen!—exclamou Zuo, tomado de júbilo, batendo vigorosamente no ombro de Wang Huchen.

—Huchen, devo recompensar-te generosamente: nomeio-te “Youji”—não, por feitos tais, é justo nomear-te “Canjiang”! E Jin Sheng, que liderou os homens, ferido, mas destemido, também será promovido a “Youji”! Vou redigir uma petição ao Imperador, solicitando cargos oficiais para ambos!

Wang Huchen, exultante, prostrou-se para agradecer-lhe a graça.

Jin Sheng, porém, não partilhava do júbilo de Wang Huchen; curvou-se mecanicamente, o coração tomado por sentimentos contraditórios: a batalha de Runing fora realmente uma vitória, mas uma vitória modesta—seria suficiente para apagar a humilhação da derrota em Zhuxianzhen?

Henan estava perdida, Xiangyang também; agora, Jingzhou estava por um fio—quanto tempo mais Wuchang resistiria, ele não ousava supor.

Jin Sheng, veterano ao lado de Zuo Liangyu há anos, sentia claramente que, nos últimos dois anos, os exércitos camponeses cresciam a cada batalha, enquanto as tropas regulares Ming minguavam.

Antes, eram eles que perseguiam os bandoleiros errantes; agora, eram os bandoleiros que perseguiam o exército imperial. Tantas batalhas depois, Jin Sheng já mal distinguia quem era o exército do imperador e quem eram os fora-da-lei.

Talvez, para os habitantes de De’an e para os milhões de súditos do Império Ming, pouco havia de diferença essencial entre soldados imperiais e bandoleiros.

Até onde ainda poderia seguir sob o comando de Zuo Liangyu?

A cidade de Wuchang, situada no coração da China, entrelaçamento de nove províncias, protegida por montanhas e banhada pelo grande rio, sempre fora um ponto estratégico cobiçado por todos os comandantes militares.

As muralhas da cidade haviam sido gravemente danificadas nas guerras do final da dinastia Yuan; as que Zhu Linze agora contemplava eram reconstruções do início da era Hongwu, sob a direção de Zhou Dexing, Marquês de Jiangxia. Mediam cinco li de leste a oeste, seis li de norte a sul, com perímetro superior a vinte li.

Após mais de duzentos anos de recuperação e desenvolvimento, o núcleo urbano de Wuchang transbordava de habitantes; mesmo nas cercanias das muralhas, a vida fervilhava, multidões como formigas cruzavam as ruas, mercadores e viajantes iam e vinham em fluxo incessante.

Zhu Linze, enquanto percorria a cidade, aproveitava para adquirir provisões para a viagem a Nanjing.

—Eis o Palácio do Príncipe de Chu. Vossa Senhoria não deseja visitar o Príncipe? Quem sabe possamos buscar refúgio junto ao Príncipe de Chu?—sugeriu Lu Wenda, indicando com um sorriso o majestoso palácio.

O Palácio de Chu era grandioso, com muralhas que excediam seis li de circunferência—maior que muitas pequenas cidades—, verdadeiro reino dentro do reino sob o domínio de Zhu Huakui, Príncipe de Chu.

Sob a dinastia Ming, as restrições aos príncipes feudais eram severíssimas; encontros privados entre príncipes eram crimes equiparados à rebelião. Contudo, nos estertores do reinado de Chongzhen, graças a Li Zicheng, tais restrições tornaram-se letra morta; era corriqueiro ver príncipes de territórios conquistados buscar refúgio junto àqueles cujos domínios ainda resistiam, como camponeses que, em tempos de infortúnio, recorrem a parentes distantes.

Por exemplo, Zhu You Song, Príncipe Herdeiro de Fu—futuro imperador Hongguang do Sul—, fugiu para Weihui e buscou asilo junto ao Príncipe de Lu, Zhu Changfang, seu tio. Quando os exércitos camponeses atacaram Weihui, Zhu You Song partiu com o Príncipe de Lu para Huai’an, onde viveu algum tempo em barcos, ao lado dos Príncipes de Zhou e Chong.

—Três anos sem visitar, mesmo parentes tornam-se estranhos. Os principados de Tang e Chu não se comunicam há mais de duzentos anos; e eu, agora, não passo de um nobre arruinado—por que o Príncipe de Chu daria atenção a mim? Para que me expor ao ridículo?—respondeu Zhu Linze, desinteressado em visitar Zhu Huakui, o atual Príncipe de Chu, cuja existência não chegaria ao fim daquele ano. Em poucos meses, Zhang Xianzhong, o “ceifador de principados”, chegaria para ensanguentar Wuchang.

Mesmo diante de súplicas e lágrimas dos oficiais de Huguang, Zhu Huakui não se dignaria a doar um tostão para o esforço de guerra; e, com a queda da cidade, seria afogado por Zhang Xianzhong nas águas do Yangtzé. Todo o tesouro do palácio reverteria em benefício do conquistador.

O próprio Zhang Xianzhong zombava de Zhu Huakui como um tolo—que valor teria, pois, uma audiência?

Quanto à fuga de Zhu You Song para junto do Príncipe de Lu, ali havia laços de sangue próximos, de tio para sobrinho.

Zhu Linze também não cogitava buscar refúgio com o Príncipe de Chu; em poucos meses, Zhang Xianzhong massacraria Wuchang—restaria apenas aguardar, de pescoço preparado, o golpe do algoz?

Lu Wenda era homem de visão. Toda a província de Henan, exceto alguns condados ao norte do rio Amarelo, estava definitivamente perdida; Jing e Xiang estavam por cair. Com a queda de Jing e Xiang, Wuchang tornar-se-ia indefensável.

A assimetria de informações era, para Zhu Linze, sua única vantagem. Se queria distinguir-se na confusão caótica dos últimos dias da dinastia Ming, precisava fazer pleno uso dos conhecimentos que possuía, buscando para si o maior proveito possível.

Quanto ao título de Príncipe Herdeiro de Tang, era para ele tanto algema quanto escada; na era de Nanming, viria a ser um estandarte, tudo dependendo de como viesse a utilizá-lo.

Wu Youke, médico itinerante por meio século, não gozava de largueza financeira; da última vez, Zhu Linze o gratificara generosamente, e ele se lançou de corpo e alma às livrarias.

Por coincidência, Zhu Linze também desejava averiguar se encontrava alguma obra digna de aquisição nas livrarias de Wuchang—algo para ler durante a viagem—, e seguiu com Wu Youke para dentro de uma delas.

—“Jixiao Xinshu”, “Lianbing Jishi”, “Wubei Xingshu”, “Wujing Zongyao”, “Nongzheng Quanshu”, “Tiangong Kaiwu”, “Xifa Shenji”—Zhu Linze apontou os títulos de seu interesse, ordenando ao empregado que trouxesse todos os volumes.

O jovem atendente, notando o porte distinto de Zhu Linze, vestido com elegância e escoltado por robustos soldados, logo percebeu tratar-se de personagem importante, apressando-se a servir chá, água e a trazer livros similares para sua escolha.

Wu Youke, porém, não disfarçou o desagrado, resmungando:

—Este rapaz é deveras interesseiro; ao ver vestes finas, logo se desdobra em atenções; já à minha roupa rústica, nem sequer lança um olhar.

Zhu Linze lançou um olhar à indumentária de Wu Youke: uma túnica de linho, tão lavada que perdera a cor original, os ombros gastos pelo peso dos anos e remendados em duas ou três camadas; o peito, as axilas, ostentavam fendas abertas por galhos, ainda por costurar.

Mais grave, a roupa era evidentemente larga demais, mal-ajustada, conferindo-lhe aspecto desleixado.

—O homem se mede pela roupa, o cavalo pela sela. Assim que terminarmos aqui, levo o senhor a um bom alfaiate no leste da cidade para que lhe confeccione um traje sob medida.

—Não é necessário—respondeu Wu Youke—, ando por montes e campos; vestes finas, rasgadas, só causariam pena. Contudo, se Vossa Senhoria pudesse arcar com minhas despesas de livros, ficaria agradecido.

Wu Youke entregou ao empregado os volumes minuciosamente escolhidos. Lu Wenda, ao lado, ironizou:

—O senhor Wu não aproveita para comprar mais alguns?

—Mais vale a qualidade do que a quantidade; para o médico, a prática é o essencial. Como diz o provérbio: ‘Crer cegamente nos livros é pior que não os ler’; se eu me dedicasse apenas aos tratados de medicina, melhor seria não lê-los—respondeu Wu Youke, com gravidade.

—Lu Changshi, não zombe de mestre Wu; ele tem razão: só a prática conduz ao verdadeiro saber médico—apoiou Zhu Linze.

Após pagar os livros, Zhu Linze mandou que os soldados os levassem e seguiu sem demora ao cais.

Wuchang era uma bela cidade, mas não lugar para quem desejasse permanecer. Zhu Linze não pretendia ali se demorar.