Capítulo 4: Esvaziado em um Piscar de Olhos
Olhando para o sol no céu, era por volta das nove horas da manhã. Os principais clientes estavam prestes a chegar! E, de fato, naquele momento, os mercadores das redondezas começaram a aparecer, um após o outro. “Pão da Família! Delicioso Pão da Família! Trinta moedas cada! Um sabor que você jamais provou!” Dizer que jamais provaram era um tanto exagerado, mas essa sensação não era algo que aqueles homens pudessem experimentar agora. “Que caro!” Muitos pensavam assim, olhavam, e logo se afastavam. Mesmo os abastados não se dispunham a gastar com um pão de procedência duvidosa, ainda mais sendo tão grande! Ao lado, os pequenos comerciantes escondiam o riso por trás das mãos. “Pai! Eu quero comer!” Um menininho rechonchudo, faminto, apontava para o pão sobre o balcão de Li Hang e insistia, mimando-se. “O que há de bom nisso? Além de caro, não deve ser nada especial!” “Pai! Deixa eu comer!” O gordinho agitava o braço do pai, com uma ternura irresistível, deixando-o completamente sem ação. Quando a fome aperta, o instinto leva o homem a desejar alimentos fritos, pois é da natureza humana buscar comidas calóricas—verdadeiro inimigo dos que pretendem emagrecer. É um mecanismo automático, difícil de ser vencido, a não ser por força de vontade extraordinária. Por isso mesmo, Li Hang optara por aquele mil-folhas frito. Seus olhos repousaram sobre o pequeno gordinho. “Compre, vai!” A mãe do menino, igualmente robusta, entoou apoio ao lado. “Está bem, está bem, vamos comprar um!” E, enfim, o pai entregou o dinheiro. Li Hang escolheu um pão ainda quente da cesta, entregando-o ao garoto. “Coma devagar!” O pequeno, ao receber o pão, não pôde conter-se e mordeu com força. “Croc!” A crocância do mil-folhas explodiu ao primeiro mordida, o aroma do pão frito misturando-se ao perfume de cebolinha, inundando o ar ao redor. Os pais do menino, ao aspirarem aquele cheiro, sentiram a garganta mover-se. Glup!
“Pequeno Zheng, deixa teu pai provar!” O homem agachou-se e, com a mão, tentou agarrar o pão da família. “Não!” O garotinho esquivou-se, girando o corpo. “Ei, moleque danado!” O pai finalmente apanhou um pedaço do pão e o lançou à boca. De imediato, a crocância e o aroma de cebolinha explodiram no paladar. Que delícia! O homem sacou a bolsa de moedas e despejou um punhado sobre o balcão. “Me dê duas!” Comprou uma para si, outra para a esposa. “Querida, prove!” “Você é mesmo um gastador!” Apesar da recriminação, a mulher não perdeu tempo; com voracidade, enrolou o pão e o devorou. “Hmm! Que gostoso!” murmurou, com a boca cheia. Os três juntos, comendo, exalavam um aroma tostado e de cebolinha que se espalhou pelo entorno do pequeno quiosque. Aquele perfume parecia expandir-se, e logo todos ao redor sentiram a fome crescer. Na dinastia Daying, era hábito comer entre dez e onze da manhã, depois novamente às três ou quatro da tarde—apenas duas refeições diárias. Comer três vezes era extravagância, coisa de gente rica. Portanto, naquele horário, a fome apertava e o cheiro de fritura atraía irresistivelmente os curiosos. Todos engoliam seco, ansiosos por provar. Especialmente os mercadores. Para eles, trinta moedas nada significavam; só hesitavam por não saber se era realmente saboroso. Agora, vendo aquela família de três gordinhos se deliciar, muitos se animaram. “Quero um também!” “Para o nosso gerente, traga um!” “Eu também quero!” Mercadores, generosos, não resistiram à novidade. Ao verem a família de rostos brilhando de prazer e bocas reluzentes de óleo, não ocultavam a inveja. “Pois não! Chegou! Delicioso Pão da Família! Só trinta moedas cada!”
O pão, para três, era suficiente como café da manhã; para um só, saciava até as quatro da tarde. Claro, naquela época, não se falava em “quatro da tarde”, mas sim nos doze horários tradicionais. Embora o pão de Li Hang parecesse comum, era diferente dos feitos ao fogo. Por que alguém pode comer dez pãezinhos, mas se farta com uma tigela de noodles? Por causa da gordura. Os alimentos do cotidiano eram pobres em gordura; já o pão frito, feito com óleo do início ao fim, era substancioso, saciava profundamente. Menos de quinze minutos, setenta e cinco pães desapareceram, disputados pelos clientes. Os pequenos comerciantes, perplexos, observavam o fervor. Como podia ser? Comparando o pão de Li Hang ao próprio pão cozido a vapor, era inevitável o sentimento de derrota—homem contra homem, mercadoria contra mercadoria. Antes, os pães a vapor eram bem vendidos, mas agora preferiam gastar trinta moedas com o Pão da Família, desprezando os tradicionais. Li Hang investigou o mercado antes de lançar o negócio; naquela era, o pão a vapor ainda não era como os pãezinhos, bolos, ou broas do futuro. Era apenas pão fermentado com massa velha, sem fermento químico, resultando em leve acidez, muito inferior ao aroma tostado do pão frito. Esses pães, ou não vendiam nada, ou, se vendidos, dominavam completamente o mercado. Mesmo os pães assados não rivalizavam. Recolhendo o quiosque, Li Hang saiu assobiando, ignorando os outros comerciantes. Eles sabiam bem: honra, dignidade, ou desprezo pelo comércio eram apenas palavras vazias—o que importava era o lucro. Criticavam Li Hang só para pressioná-lo. Vê-lo partir, desajeitado, era não só um divertimento, mas estratégia para proteger o próprio negócio. Agora, vendo Li Hang vender todos os pães em quinze minutos, enquanto seus quiosques permaneciam desertos, juntaram-se para conversar. “O que fazemos?” “O que mais? Quem diria que o senhor Li também é um comerciante habilidoso.” “Habilidoso ele é, mas não conhece as regras do cais!” “Regras?” Os vendedores olharam para os carregadores do porto—ali, não era só o governo que controlava. Entre os miseráveis, havia gente perigosa, estabelecendo uma ordem subterrânea. Todos os meses, cobravam dos pequenos comerciantes e lojas, garantindo assim uma vida de prazeres!