Capítulo 6: Sobrevivendo por um Triz

Fajar Era Manusia jangan mempermainkan sesamanya. 3112kata 2026-03-15 14:48:57

— Que cobra enorme… grande demais… — murmurou Zhao Qiang, o rosto marcado por um misto de medo e excitação.

— Seja mais específico! — interrompeu o Chefe Chen.

Zhao Qiang respirou fundo, esforçando-se por controlar a emoção: — O corpo tem mais ou menos a grossura da minha cintura, a barriga está tão inchada que nem sei a que comparar, agora mesmo está deitada imóvel na encosta, parece já mal conseguir mover-se.

— Ah, certo! — Zhao Qiang pareceu lembrar-se de algo: — Acho que é uma cobra-papagaio!

Todos mudaram de expressão.

— Tem certeza de que não se enganou? — perguntou o Chefe Chen, desconfiado.

— Claro que não! Como eu confundiria esse tipo de cobra? Já cheguei a capturar algumas — respondeu Zhao Qiang, a voz abafada.

Luo Yuan também conhecia essa espécie; na infância, quando morava no campo com os pais, via-a com frequência. Costumava medir dois ou três metros, no máximo da grossura de um braço. Uma tão descomunal parecia coisa de outro mundo.

Luo Yuan sentiu o coração aliviar-se um pouco; afinal, era menos ameaçador defrontar-se com uma serpente não venenosa do que com uma letal.

— Temos apenas uma chance — disse o Chefe Chen, grave. — Lembro que cobras saciadas não atacam. Contanto que não a provoquemos, mesmo se passarmos diante dela, nada acontecerá. Na hora, todos apontem as armas à cabeça dela e atirem, depois fujam imediatamente. Entendido?

— Sim!

— Agora, todos confiram suas armas. Zhao Qiang, entregue a arma de Wang Fei para Luo Yuan, você sabe usá-la, não? A trava já está destravada, basta puxar o gatilho! — ponderou o Chefe Chen. Mais um atirador aumentava as chances de êxito. Quanto a Wang Fei, que permanecesse ali deitado; trazê-lo de volta agora só serviria para alarmar a cobra gigante antes da hora.

Luo Yuan recebeu a pistola, sentindo o peso nas mãos; era sua primeira vez com uma arma. Talvez pela tensão do momento, não sentiu a excitação que imaginara. Imitou os outros e conferiu o carregador: Wang Fei não disparara, a munição estava completa!

— Então… vamos! — murmurou o Chefe Chen, após hesitar por um instante.

O coração de Luo Yuan disparou; as pernas pareciam flutuar, leves e sem força. Seguiu atônito os demais, agachando-se em direção à encosta. Não era o último da fila: atrás dele vinha Huang Jiahui, agarrada à barra de sua camisa, as mãos tremendo, o que fazia o corpo de Luo Yuan igualmente estremecer.

Descobriu-se menos corajoso do que supunha; quando o medo atinge certo grau, a fraqueza reina absoluta sobre o espírito. Se fosse outro animal, talvez se portasse melhor, mas desde que, na infância, alguém lhe metera uma cobra-d’água fria na nuca, nutria um temor visceral por esses seres gélidos e sinistros.

Um odor cáustico e indefinido, reminiscente do apodrecimento de peixes, começou a flutuar desde a encosta, fétido a ponto de enojar.

Ao passarem por Wang Fei, todos diminuíram o ritmo bruscamente.

— Daqui em diante, silêncio! Sigam apenas os gestos! — sussurrou o Chefe Chen, passando primeiro pela encosta e acenando com a mão. Zhao Qiang seguiu-o sem hesitar.

Luo Yuan respirou fundo, colando-se ao grupo. Assim que atingiu o topo da encosta, seus olhos buscaram de imediato a imensa serpente deitada adiante.

Mesmo preparado, sentiu a espinha gelar ao vê-la de verdade.

A cobra tinha mais de dez metros de comprimento; seu corpo colossal repousava silencioso, as escamas reluzentes e oleosas, exibindo um brilho metálico que fazia Luo Yuan duvidar se seriam capazes de deter balas.

As escamas, sob a luz direta do sol, projetavam auréolas iridescentes. O ventre, inchado e volumoso, fazia o corpo assemelhar-se a uma gigantesca azeitona. Uma criatura assim causaria horror mesmo à distância, quanto mais cara a cara.

Ao redor, reinava um silêncio sepulcral, quebrado apenas pela respiração ofegante dos presentes.

Em plena era de paz, defrontar-se com um monstro desses era uma experiência para a qual ninguém estava preparado. A educação moderna aguçou os cérebros mas amoleceu os corpos: há mais gente inteligente, mas menos corajosa. Não gritar de pavor já era sinal de considerável autocontrole.

O Chefe Chen lançou um gesto para os demais o seguirem, avançando agachado em direção à cabeça da besta.

Contornaram o corpo gigantesco até se posicionarem a três ou quatro metros da cabeça, então pararam.

A serpente, de olhos âmbar, gélidos e imóveis, tinha as pupilas dilatadas, como se adormecida. Luo Yuan percebeu, no topo da cabeça, a marca negra em forma de “rei”, identificação inequívoca: era mesmo uma cobra-papagaio.

Ao redor dela, pairava uma aura de terror que paralisava os sentidos.

O coração de Luo Yuan quase saltava do peito. Passou a pistola para a mão direita, a faca para a esquerda, respirando profundamente, o rosto tão pálido que assustava.

Huang Jiahui, às suas costas, estava ainda pior: as pernas cederam, e ela agarrou-se ao braço dele, o corpo delicado e trêmulo pressionando-se contra o dele. Luo Yuan não tinha tempo de notar a maciez e elasticidade do seio que se encostava a ele; ao contrário, o pânico lhe tomou a expressão.

Se a cobra enlouquecesse ao ser ferida, a presença da mulher poderia condená-lo à morte.

Nesse instante, o Chefe Chen fez sinal de ataque, levantando a arma e mirando o olho da serpente.

Luo Yuan tentou soltar-se de Huang Jiahui, mas ela, instigada, apertou-o ainda mais, um lampejo de ansiedade cruzando-lhe o olhar. Sem alternativa, também mirou a cabeça da besta.

O tempo pareceu estacar; cada segundo era uma tortura, o suor escorria das testas e caía na terra, quebrando-se em gotas cristalinas.

— Fogo!

Quase ao mesmo tempo, três pistolas cuspiram balas incandescentes a curta distância — impossível errar. Mesmo Luo Yuan, inexperiente, acertou todos os disparos no corpo da serpente.

Do crânio da criatura brotaram flores de sangue, o olho âmbar explodiu num buraco sangrento. Adormecida, jamais poderia imaginar que o fim lhe chegaria assim, de súbito.

A dor atroz fez com que despertasse num rompante; a cabeça maciça ergueu-se abruptamente, veloz como um raio, deixando atrás de si apenas um vulto. O ar ao redor foi varrido por uma rajada violenta de vento.

Mas esse ímpeto durou menos de um segundo: a cabeça voltou a desabar pesadamente ao solo, o corpo colossal retorceu-se em espasmos, a boca aberta emitindo um bramido agonizante.

Os tiros não só destruíram o olho, mas penetraram o cérebro. Contudo, a vitalidade das serpentes é antinaturalmente resistente; não morre tão facilmente.

Em fúria, devastava tudo ao redor: a cauda, chicoteando com força supersônica, partia as árvores restantes ao meio. Fragmentos e pedras voavam como balas em todas as direções, atingindo os sobreviventes, marcando-lhes a pele com pontos rubros.

Luo Yuan, arrastando a ainda agarrada Huang Jiahui, correu desesperado para a área mais arborizada. Ouviu vagamente um grito de dor, sem saber de quem era.

Praguejava mentalmente: se não fosse por Huang Jiahui, já estaria a salvo; tamanha era a raiva que quase desejava matá-la.

Os estampidos continuavam às suas costas, o vento uivava — impossível não imaginar a morte irrompendo de súbito.

Por levar a mulher, percorreram apenas algumas dezenas de metros antes de Luo Yuan esgotar suas forças; os pulmões ardiam, não podia mais dar um passo. Vendo uma grande árvore à frente, reuniu as últimas reservas e contornou-a, encostando-se trêmulo ao tronco.

Huang Jiahui, insaciável, apertou-se ainda mais à cintura dele, o corpo mole e trêmulo.

Luo Yuan, sem forças, resignou-se a deixá-la abraçá-lo.

Fechou os olhos, sentindo a vida pulsar no corpo. Talvez só diante da morte se perceba o quão preciosa é a existência.

O tempo passou lentamente e os sons externos foram enfraquecendo.

Luo Yuan empurrou Huang Jiahui, decidido a espiar o exterior.

— Não, minhas pernas não obedecem! — protestou ela, aninhando a cabeça no peito de Luo Yuan e apertando-se ainda mais.

— Fique aqui, eu vou ver lá fora. Se a cobra estiver morta, poderemos sair!

— Está bem… — murmurou ela, soltando-o. O corpo vacilou, quase desabando.

Luo Yuan apressou-se a ampará-la, mas sem forças, ao ser puxado, rolou ao chão com ela.

Os dois ficaram frente a frente, tão próximos que podiam sentir o hálito um do outro. Os corações batiam alucinadamente. Luo Yuan, por instinto, pensou em levantar-se, mas ao lembrar como quase morrera por causa dela, sentiu a raiva crescer.

Estava vivo, mas deixá-la impune era demais. Fitando os lábios rubros da jovem, vingativamente inclinou-se e a beijou.

O que se seguiu, porém, foi totalmente inesperado.

Huang Jiahui apenas resistiu por um instante, logo respondendo com ímpeto, mais impetuosa até do que ele. Como uma faísca incendiando palha seca, ambos foram tomados por uma voracidade incontrolável.

Os gestos tornaram-se cada vez mais intensos, loucos, rasgando as vestes um do outro. O uniforme de policial foi empurrado por Luo Yuan até o peito dela, e ele, agarrando um dos seios alvos e delicados, levou-o à boca.

Huang Jiahui deixou escapar um gemido de satisfação, as mãos puxando com força os cabelos dele, a respiração tornando-se ofegante e urgente.