Capítulo 5: O Caminho da Serpente (Peço Recomendações)

Fajar Era Manusia jangan mempermainkan sesamanya. 4979kata 2026-03-14 14:45:25

        Clic, clic...
        O estalo seco da pistola ecoou no silêncio.
        Uma sombra negra disparou como um raio, e, ao se aproximar, saltou de súbito, escancarando as presas e a bocarra ensanguentada rumo ao pescoço do Capitão Chen.
        O rosto de Chen transfigurou-se de terror; diante do ataque da fera selvagem, seu corpo inteiro paralisou-se, tomado pelo pânico.
        Foi então que Luo Yuan, num ímpeto súbito, rompeu a inércia e lançou-se à frente como uma flecha, arremetendo o ombro com força descomunal contra o corpo do felino. O animal, suspenso no ar, incapaz de firmar-se, voou por três ou quatro metros, rolando pelo solo até recuperar-se, embora, ao erguer a cabeça atordoada, demonstrasse ainda sinais do impacto.
        Luo Yuan, impiedoso, não lhe concedeu um momento sequer de trégua. Empunhando o facão, avançou a passos largos — a distância de três ou quatro metros foi vencida em um relance — e, com um golpe firme, desceu a lâmina sobre o flanco da fera.
        O facão, pesado e próprio para cortes vigorosos, embora não primasse pela lâmina afiada, possuía uma força letal. Ouviu-se um estalo seco: a coluna vertebral rompeu-se, e, no ímpeto do golpe, o corpo do animal foi partido ao meio.
        — Uaaau!
        A selvagem criatura, decepada ao meio, urrava em agonia, debatendo-se frenética, as patas dianteiras arrastando-se penosamente, enquanto vísceras e intestinos se derramavam do tronco mutilado, alastrando-se pelo solo, impregnando o ar de um odor fétido de sangue fresco.
        — Bang! Bang! — Zhao Qiang, recobrando-se do choque, disparou a arma repetidas vezes.
        — Maldita criatura!
        Os tiros acertaram a cabeça do animal, que estremeceu antes de, finalmente, cessar a luta pela vida.
        — Huuurgh! — Huang Jiahui, diante da cena atroz, empalideceu e enrubesceu alternadamente; um súbito enjoo revolveu-lhe as entranhas, e, incapaz de resistir, correu até a beira do mato, onde se pôs a vomitar copiosamente.
        Luo Yuan, por sua vez, também não se sentia bem; movido apenas pelo instinto, lançara-se ao combate sem tempo para refletir. Só agora, passado o perigo, sentia o pavor em retrocesso, o corpo todo tremendo, as mãos sacudindo-se convulsivamente ao ponto de quase deixar escapar o facão, não fosse a força com que o segurava.
        Quando, afinal, tornara-se tão corajoso?
        Foi então que Wang Fei, com a mão direita cobrindo o rosto, emergiu dos espinhos, arrastando-se lentamente, o semblante tomado de temor:
        — Capitão, este lugar é perigoso demais. Estamos em desvantagem numérica; uma única fera nos deixou assim... Que mais nos aguardará adiante? Creio que já avançamos o bastante. Não encontraremos os desaparecidos.
        Ao ouvir tais palavras, um ar de hesitação perpassou todos os presentes.
        O rosto de Luo Yuan anuviou-se — o pior acabara de acontecer. Apressou-se a declarar:
        — Não tendo visto o corpo, recuso-me a crer que meu cunhado esteja morto. Ao menos devemos subir até o cume para averiguar!
        — Não é sua vez de falar! Se quer morrer, vá sozinho — mas não arraste os outros contigo! — explodiu Wang Fei, ao reconhecer Luo Yuan como o interlocutor.
        Luo Yuan olhou-o, surpreso, sem compreender a origem daquele súbito destempero — afinal, não o ofendera. Uma onda de ira agitou-lhe o peito, e sua resposta veio ríspida:
        — Se tem medo, vá embora antes; de todo modo, sua presença em nada contribuiu até agora.
        As palavras de Luo Yuan atingiram em cheio o nervo exposto de Wang Fei, que empalideceu de raiva, sacou a pistola e apontou a arma para Luo Yuan:
        — Repete isso, seu... repete, se for homem!
        — Não! — gritou Huang Jiahui, tomada de espanto; jamais imaginara ver o retraído Wang Fei sacar arma contra um colega por tão pouco — gesto precipitado ao extremo.
        — Wang Fei, abaixe a arma! — ordenou o Capitão Chen, a voz grave e imperiosa.
        Diante da autoridade do capitão, Wang Fei hesitou, o medo diluindo-se no orgulho ferido, que o fez retrucar, ruborizado:
        — Capitão, não me insurjo contra sua ordem, mas exijo que ele se desculpe comigo!
        Por um instante, mil pensamentos cruzaram a mente de Luo Yuan. Ter uma arma apontada para si provoca um temor que armas brancas jamais inspiram; sentiu o coração acelerar, paralisado sob o olhar do cano negro.
        A morte parecia tão próxima, quase tangível.
        Quase cedeu ao impulso de pedir perdão.
        Mas uma centelha de orgulho impediu-o de se submeter — ele poderia inclinar-se, mas jamais diante de uma arma; era uma humilhação intolerável.
        Num lampejo de racionalidade, percebeu que a ameaça não era tão terrível quanto parecia. Não acreditava que Wang Fei, em seu juízo, ousasse disparar diante de todos.
        Além disso, estavam separados por pouco mais de um metro; se fosse suficientemente rápido e decidido, poderia decepar-lhe o braço, quiçá matá-lo — opção extrema e insensata, que só agravaria a situação.
        Sabendo que tinha meios de reagir, acalmou-se por completo.
        Refletiu e declarou:
        — Se quer um pedido de desculpas, abaixe a arma primeiro. Não fosse o Capitão Chen ter salvo sua vida há pouco, você já estaria morto; agora, de nada adianta temer. Sigamos as ordens do capitão: se ele decidir recuar, não me oporei.
        Suas palavras, hábeis, isolavam Wang Fei e, veladamente, lembravam a todos o ato de bravura de Luo Yuan ao salvar o capitão, evitando assim que os policiais se unissem contra ele.
        O semblante de Chen ensombreceu-se; rememorando o perigo recém-evitado graças a Luo Yuan, sentia-se grato a este e, em contraste, crescia-lhe o desprezo por Wang Fei, cuja conduta quase resultara em tragédia.
        — Wang Fei, ordeno que abaixe a arma. Ouviu bem? — repetiu, irredutível.
        — Ca... capitão... eu... — balbuciou Wang Fei, hesitante.
        — Baixe a arma, Wang — apoiou Zhao Qiang, que tampouco nutria simpatia pelo colega.
        Como a última palha que dobra o lombo do camelo, Wang Fei lançou a Luo Yuan um olhar carregado de ódio antes de, abatido, deixar a arma cair.
        Luo Yuan ignorou-o e, voltando-se ao Capitão Chen, disse, humilde:
        — Capitão, fui impetuoso há pouco; peço-lhe desculpas.
        O capitão, agora mais brando, respondeu com gravidade:
        — Compreendo sua angústia; qualquer um na sua situação sentiria o mesmo. Mas este lugar é de fato perigoso: se não encontrarmos nada no cume, voltamos. Concorda?
        A coragem demonstrada ao salvar-lhe a vida tornara o capitão mais conciliador; quanto ao pedido de desculpas a Wang Fei, a questão morria ali.
        — De acordo! — respondeu Luo Yuan, pesado. — Sei que as chances são mínimas, mas, enquanto houver esperança, não posso desistir.
        Huang Jiahui aproximou-se para confortá-lo:
        — Está bem? Não se preocupe com Wang Fei; ele ingressou há pouco na delegacia, é inexperiente e impetuoso. Não leve a peito.
        — Não se preocupe, irmã Hui! Não sou de guardar ressentimentos.
        — E como é ser ameaçado por uma arma? — Zhao Qiang aproximou-se, sorrindo largo.
        — As pernas ainda tremem — admitiu Luo Yuan, com um sorriso amargo.
        Zhao Qiang ergueu o polegar, admirado. Conhecera muitos que, arrogantes em tempos de paz, diante da ameaça de uma arma, desmoronavam — ajoelhar-se e suplicar era o melhor cenário; muitos se desfaziam em prantos e excrementos. Nenhum, porém, mostrara a bravura de Luo Yuan.
        Enquanto do lado de Luo Yuan o ambiente era de camaradagem, Wang Fei permanecia isolado, consumido por um turbilhão de raiva, inveja, medo e arrependimento.
        Não tardou e sons sussurrantes multiplicaram-se ao redor. Um rato enorme foi o primeiro a emergir do matagal, esgueirando-se cauteloso entre os homens e os destroços do animal, hesitante.
        O capitão ergueu-se, atento:
        — Vamos, não podemos descansar aqui; o cheiro de sangue atrairá outras feras.
        — Capitão, já estamos na encosta — que tal gritarmos? Se houver alguém vivo, poderá nos ouvir — sugeriu Huang Jiahui.
        — Esperemos passar deste trecho; temo alarmar as feras próximas — retrucou Chen.
        Luo Yuan, embora exausto, sentia-se revigorado após breve repouso. Avançou brandindo o facão, abrindo caminho. Por causa do sangue, a fauna ao redor multiplicou-se, mas, exceto pelo rato, nenhum animal os atacou.
        Caminharam dezenas de metros antes de gritarem por socorro, mas não houve resposta.
        A inquietação tomou Luo Yuan — estaria Chen Weiqiang realmente morto?
        — Olhem, aquilo não é uma peça de roupa? — exclamou Huang Jiahui, apontando para uma faixa esguia a algumas dezenas de metros à esquerda.
        Luo Yuan, esperançoso, seguiu-lhe o gesto:
        — Parece sim... E há marcas de passagem! Devem ter entrado por ali. Capitão, vamos conferir?
        — Vamos — assentiu Chen.
        Luo Yuan tomou a dianteira. Em poucos minutos, chegaram ao local indicado.
        Tratava-se de uma trilha estreita, cujas árvores estavam vergadas e partidas, como se uma força descomunal ali passara. Uma manga de camisa pendia de um galho, manchada de sangue — o dono daquela peça certamente não tivera sorte.
        — O sangue ainda está fresco; não deve ter mais de dois dias. É possível que pertença ao grupo do prefeito Xia — avaliou o capitão, agachando-se para examinar o solo. — Mais sangue aqui. Devem ter sido atacados por feras e fugido em pânico pela trilha abaixo. Sigamos por ela.
        Luo Yuan assentiu. Com a trilha aberta, avançaram mais rápido, mas, após poucos metros, o rastro de sangue desapareceu subitamente. Em seu lugar, surgiu um desvio de quase meio metro de largura, sinuoso, mas de curvas surpreendentemente regulares, como traçadas a régua.
        O olhar de Luo Yuan gelou; uma onda de frio percorreu-lhe a espinha.
        — Maldição, isso só pode ser rastro de serpente! — exclamou Zhao Qiang, erguendo a pistola, alerta. — Uma trilha dessas... que tamanho terá essa cobra?
        Wang Fei recuou alguns passos, postando-se atrás do grupo, pronto para fugir, não fosse o medo de descer sozinho pela montanha.
        — Luo, você decide: seguimos ou voltamos? — Chen outorgou-lhe a decisão.
        — Melhor descermos logo; seu cunhado já não tem salvação — murmurou Huang Jiahui, tentando convencê-lo.
        Luo Yuan hesitou, depois cravou os dentes e declarou:
        — Capitão, posso descer agora, assumir que meu cunhado morreu.
        Pausou e continuou:
        — Mas se eu posso ir, vocês não podem. Se essa serpente já é tão grande, e o clima continuar anômalo, logo crescerá ainda mais. Quando todos os animais desta montanha não bastarem para saciá-la, ela descerá para devorar gente. Vocês são policiais de Gaotang; fugindo agora, serão chamados de volta para enfrentá-la depois.
        O que é mais prudente: lidar com a serpente agora, saciada e inerte, ou esperar que cresça, fique mais faminta e violenta?
        — E como sabe que ela está imóvel? — Wang Fei, aproveitando, contestou.
        Luo Yuan lançou-lhe um olhar de desdém:
        — Uma serpente, mesmo da grossura de um tonel, após engolir quatro ou cinco pessoas, precisa de dias ou até uma semana para digerir, período em que mal consegue mover-se. É menos perigosa do que parece.
        E fitou o capitão, aguardando a decisão.
        Se desistissem, nada poderia fazer; a missão fracassaria. Não estava preparado para enfrentar sozinho uma serpente gigantesca — e, além disso, seu medo de cobras era tal que mal conseguiria usar metade de sua força.
        O semblante de Chen oscilou; por fim, fixou Luo Yuan:
        — Espero que esteja certo. Pelo bem dos aldeões, vamos verificar.
        No âmago, sentia o peso do dever. Era verdade: se não matassem ali a serpente, ela se tornaria uma ameaça terrível ao povoado.
        Diante de tal senso de justiça, até Wang Fei, tomado de medo, calou-se.
        Ao pisarem a trilha sinuosa, a tensão tornou-se quase palpável; o entorno devastado pelas passagens da cobra dava medida de sua força — um único golpe e a morte seria certa.
        Huang Jiahui colou-se a Luo Yuan, quase tocando-lhe o corpo, sentindo-se protegida em sua presença.
        Luo Yuan, no íntimo, só queria rir: as mãos encharcadas de suor escorregavam no cabo da lâmina. Se ela soubesse o quanto ele estava apavorado...
        Avançaram cautelosos, os nervos em brasa. Em poucos minutos, já suavam copiosamente, as roupas coladas ao corpo, como se tivessem mergulhado em água.
        Meia hora depois, a trilha terminou numa clareira desolada, encosta nua onde troncos mortos jaziam espalhados. Quem imaginaria, em meio à floresta densa, tal espaço aberto?
        Deitaram-se ao solo, prendendo a respiração — ali, sem dúvida, era o covil da serpente.
        — Wang, vá verificar. E cuidado para não alarmá-la — murmurou Chen. Pensara em pedir a Luo Yuan, mas, considerando que ele, um civil, fizera quase tudo até ali, não teve coragem de expô-lo de novo.
        O rosto de Wang Fei empalideceu; olhou para os demais, depois para Luo Yuan.
        Este, percebendo, lançou-lhe um olhar de escárnio.
        Diante do olhar, Wang Fei sentiu-se ainda pior, o orgulho ferido, e respondeu impensadamente:
        — Está bem!
        Mal as palavras escaparam, arrependeu-se, mas era tarde.
        Sacando a pistola, arrastou-se hesitante, como quem caminha à própria execução. Foram necessários longos minutos para cruzar poucos metros; nos derradeiros passos, o medo venceu-o por completo — deitou-se no chão, incapaz de prosseguir.
        O capitão fechou a cara.
        — Que vergonha para a polícia! — zombou Zhao Qiang. — Deixa comigo!
        Luo Yuan riu-se por dentro. Wang Fei, que ousara apontar-lhe uma arma, agora não se aguentava de pavor.
        Chen perdeu a esperança nele — como confiar a segurança pública a tal homem?
        Zhao Qiang, ex-militar, rastejou veloz como uma serpente, apanhou a arma de Wang Fei e seguiu adiante.
        Logo retornou, mas seu rosto, sempre descontraído, estava lívido, como se toda cor houvesse abandonado-lhe as faces.