Capítulo 5: Ser Fofo Não É Crime

Permaisuri Pertama Tian Yin Xin Xin 3261kata 2026-03-15 14:43:51

A senhora Borjigit, embora também estivesse pensando no encontro do sumo sacerdote com a irmã Menggu, estava ocupada com os inúmeros assuntos da mansão, pois o Festival de Maio se aproximava e os administradores de fora aguardavam respostas. Assim, deixou tal questão de lado momentaneamente, decidindo perguntar a Yang Jinu à noite.

Ao ver Nizhuhe e a irmã Menggu trocando sussurros num canto, Borjigit sorriu indulgente; não se afastou das duas e permitiu a entrada do administrador que viera reportar-se.

Borjigit nascera em Khorchin, sendo uma típica dama mongol, mas distinguia-se das demais por sua paixão, desde tenra infância, pela cultura da China Central, falando inclusive um pouco de chinês—aquilo era raro entre mongóis ou jurchens. Por isso, havia nela a ternura das mulheres do interior, qualidade que prendia o coração de Yang Jinu, de modo que, até hoje, ele não tomara concubinas.

Embora Borjigit fosse apenas uma esposa sucessora, a anterior não deixara filhos, nem gozara do afeto de Yang Jinu. Assim, ao casar-se, Borjigit demonstrou grande habilidade ao pôr em ordem todos os assuntos da casa, conquistando ainda mais o afeto do esposo.

A irmã Menggu soube desses pormenores casualmente, ouvindo as conversas dos criados. Na memória da imperatriz Xiaoci, a recordação dos familiares não era profunda; sabia apenas que Yang Jinu e sua família sempre a amaram muito, razão pela qual ele a casou com o capaz Nurhaci.

Menggu nutria grande admiração por Borjigit. Em outros tempos, talvez sentisse certa superioridade como mulher moderna; contudo, após ordenar as lembranças da imperatriz Xiaoci e ouvir, ao longo de três anos, mexericos do mundo exterior, compreendeu que as mulheres da antiguidade jamais deveriam ser subestimadas. Silenciosamente, Menggu passou a observar Borjigit na administração da casa, ciente de que as mulheres com quem teria de lidar no futuro não seriam de todo fáceis.

—Meng’er, por que olhas assim para tua mãe?—indagou Borjigit, após finalizar os preparativos para o Festival de Maio e erguer o olhar, deparando-se com a irmã Menggu a fitá-la com olhos plenos de admiração e respeito. O cansaço em sua expressão se dissipou, e ela sorriu para a filha.

—Mãe…—Menggu estivera tão absorta em seus pensamentos que não percebera o olhar até ser chamada, corando de leve ao aproximar-se de Borjigit, a quem chamou docemente.

—Minha querida menina—Borjigit, tocada pelo olhar e pela voz da filha, sentiu-se enternecida. Abraçou Menggu e depositou-lhe um beijo, lançando um olhar satisfeito à filha mais velha, que, alegre, aprendia bordado com a ama. Borjigit não exigia das filhas tal aprendizado, mas, vendo que Nizhuhe gostava, não se opunha e, pelo contrário, sorria, satisfeita.

—Meng’er, sobre o que cochichavas com E’yun há pouco?—perguntou Borjigit, disposta agora a entreter-se com as filhas.

—Mamãe, a mansão anda tão movimentada nos últimos dias, parece mesmo que estamos prestes a celebrar uma festa—respondeu Menggu, curiosa, sem dar resposta direta.

Borjigit, ouvindo tais palavras, logo compreendeu o motivo, mas respondeu como de costume:

—De fato, logo será o Festival de Maio. Ainda não está tão animado; quando chegar o primeiro dia do mês, a casa se encherá de alegria. Mandarei que preparem bolinhos de arroz para ti, Meng’er. As amas já estão fazendo zongzi coloridos; ficarás linda com eles.

—Que bom! E’yun prometeu fazer zongzi coloridos para mim—disse Menggu, radiante. Era raro poder celebrar tais festividades tradicionais, e ela não se esquecia de seu propósito.

—Minha filha é mesmo obediente—Borjigit, vendo que Menggu não mencionava espontaneamente o que queria, decidiu continuar observando, curiosa por ver como a filha pediria o que desejava.

Menggu, percebendo que Borjigit nada mais diria, lançou-lhe um olhar cauteloso. Quando viu que a mãe lhe retribuía o olhar, compreendeu que não poderia esconder suas intenções da astuta Borjigit. Contudo, sabia também que seu ponto fraco era ela própria.

—Mamãe, hoje almocei direitinho, cumprimentei respeitosamente o sumo sacerdote Marfa, não interrompi E’yun nos estudos, não fui brincar com o segundo irmão e ainda estudei os caracteres com o irmão mais velho. Não fui uma boa menina?—Menggu arregalou os grandes olhos brilhantes, esforçando-se para parecer ainda mais adorável.

—A filha de mamãe é a mais obediente. À noite, prepararei para você uma sopa de tâmaras vermelhas e lírio—elogiou Borjigit, fingindo não perceber o verdadeiro intento da filha.

Até Nizhuhe, antes tão atenta ao bordado, distraiu-se com a cena. Ao ver o olhar de Borjigit, compreendeu que ela se divertia provocando Menggu, e, largando a agulha, observou, divertida, o teatrinho da irmã.

—Mamãe, você foi incrível agora há pouco, admiro-a profundamente!—continuou Menggu, sabendo que Borjigit entendia seu propósito, mas, se para fazer sua família sorrir era preciso ser fofa e manhosa, assim seria.

—Mamãe, todos dizem que sou linda e fofa, mas sou parecida com você, então você é ainda mais bela!

—Mamãe, as uvas de hoje estavam tão doces; vou descascar uma para você.

—Mamãe, depois de tanto conversar, não está com sede? Vou lhe servir chá.

Após render-se ao cerco de carinhos e palavras doces, Borjigit rendeu-se, abraçou Menggu e perguntou, rindo:

—Conte logo, por que tanto zelo hoje? O que desejas pedir à mamãe?

—Ora, não é nada disso… Só quero agradar à mamãe—respondeu Menggu, envergonhada, pensando consigo que ainda precisava treinar mais sua audácia.

—Se não há nada, então vou-me indo. Teus irmãos logo estarão de volta, vou pedir que brinquem contigo—ameaçou Borjigit, fingindo erguer-se para sair.

Vendo isso, Menggu rapidamente agarrou-se à perna da mãe—quisera agarrar-lhe o braço, mas sua altura não permitia—e, de beiço e olhos marejados, suplicou:

—Mamãe, não me castigue assim, você sabe exatamente o que quero!

Borjigit, percebendo que não devia exagerar, pois logo seu próprio coração sofreria, abaixou-se, tomou Menggu nos braços e, afagando-lhe as costas, disse docemente:

—Pronto, pronto, não chore. Diga logo o que deseja; só assim poderei concordar.

Ao notar o coração da mãe amolecido, Menggu soube que tinha vencido. Fora do alcance do olhar de Borjigit, piscou para Nizhuhe, já sem qualquer traço de tristeza; Nizhuhe, conhecendo bem a arte manhosa da irmã, sorriu satisfeita.

As duas, crentes de que sua cumplicidade era secreta, não perceberam que Borjigit tudo percebia, mas, por amor, nada dizia.

—Mamãe, o irmão mais velho disse que durante o Festival de Maio irá subir a montanha, e as ruas estarão cheias de vida. Eu e E’yun não queremos ir escalar, mas gostaríamos que papai ou o irmão grande nos levassem para apreciar a movimentação. Mamãe, permita, por favor—suplicou Menggu, pendurada no pescoço da mãe.

Nizhuhe, ouvindo isso, correu para o lado de Borjigit, abraçando-lhe o braço e juntando-se à súplica:

—Mamãe, nunca fui passear nas ruas. Deixe que eu e a irmãzinha vamos, prometemos comportar-nos.

—Já chega, vou ficar tonta com tanta insistência—riu Borjigit.

—Então a mamãe concorda?—exclamou Menggu, exultante.

—De que adianta? Estarei ocupada, não poderei acompanhá-las. Se querem passear, peçam ao papai; se ele consentir, não me oporei—respondeu Borjigit, satisfeita ao ver as filhas felizes.

—Entendido, mamãe. Esperaremos o sumo sacerdote Marfa ir-se embora e então pediremos ao papai—alegrou-se Menggu, já ansiosa, mas conteve-se ao lembrar-se da visita.

Mal terminara de falar, ouviram-se vozes de saudação vindas do lado de fora. Logo, Yang Jinu entrou acompanhado de Nalinbulu e Jintaishi, recém-chegados.

Menggu e Nizhuhe trocaram olhares, dando início a nova rodada de manhas e súplicas, agora com o apoio de Nalinbulu e Jintaishi. Yang Jinu, incapaz de resistir às crianças, logo concordou em levá-las para passear no quinto dia do quinto mês, deixando Menggu e Nizhuhe exultantes.

À noite, ao adentrar seu espaço secreto, Menggu contou a Jinzi e Yinzi sobre a permissão para sair. Jinzi, desdenhosa, comentou:

—Fingindo ser jovem e fofa…

—Ser fofa não é crime—respondeu Menggu, indiferente.

O outro, arrogante, virou-se para sair.

—Maçã-do-amor, bolinho de osmanthus, zongzi…—Menggu, ignorando Jinzi, murmurava uma longa lista de quitutes.

Num instante, Jinzi virou-se, subiu ao ombro de Menggu e ali mesmo começou a desfilar seu próprio repertório de manhas e carinhos, repetindo para si: ser fofa não é crime.