Capítulo Sete: O Pequeno Hei que Não Compreendia a Linguagem das Feras
Ao adentrar sozinho o pequeno quarto hospitalar, Zhou Xiaochuan lançou primeiro um olhar furtivo ao redor; após se certificar de que Li Yuhan e Huang Xiaowan estavam ocupadas, cada qual mergulhada em suas tarefas, sem prestar-lhe atenção, ele então baixou a voz e, num sussurro, desabafou a série de questões que o afligiam:
— Xiao Hei, foi você que me mordeu esta manhã? Aquilo que guardo na memória, aquelas experiências, são reais ou mera ilusão? De onde veio, subitamente, esta habilidade de compreender a língua das feras? Foi por sua causa? E aquela energia misteriosa que há pouco invadiu meu corpo, circulando incessantemente e transformando minha constituição — o que foi aquilo?
Jamais poderia Zhou Xiaochuan imaginar que, ao ouvir tais palavras, Xiao Hei, embora tenha erguido a cabeça e aberto a boca, não proferiu nenhuma linguagem animal que ele pudesse decifrar, mas sim latiu, simplesmente, como um cão qualquer.
— Como pode ser? — Zhou Xiaochuan ficou atônito. — Consigo entender claramente o que dizem os outros animais. Por que só a você não compreendo? — Após breve reflexão, seu semblante tornou-se desconfiado: — Xiao Hei, não estará, por acaso, falando de propósito numa língua que eu não entendo?
— Au... — latiu novamente Xiao Hei, e Zhou Xiaochuan, ainda assim, não conseguiu captar-lhe o significado. Contudo, ao fitar os olhos negros do cão, discerniu ali um traço de mágoa, o que o fez franzir as sobrancelhas, murmurando, perplexo:
— Que estranho... Por que entendo os demais animais, mas não consigo compreender você? O que está acontecendo afinal?
Enquanto Zhou Xiaochuan se perdia em tentativas infrutíferas de compreender o mistério, um homem corpulento entrou no "Lar dos Animais de Estimação", trazendo consigo um cão. Li Yuhan aproximou-se dele, sorrindo delicadamente:
— Há algo em que possamos ajudá-lo?
O sorriso de uma bela mulher deveria, por si só, ser devastador, mas diante daquele homem robusto, o gesto de Li Yuhan não surtiu qualquer efeito.
Com as sobrancelhas arqueadas, o homem respondeu, num tom rude:
— Isto aqui não é uma clínica veterinária? Vim aqui pra quê, senão pra tratar do bicho? Ou será que vocês também tratam de gente? — E, sem o menor cuidado, atirou diante de Li Yuhan o cão sujo que trazia, como se descartasse lixo. — O que está esperando? Trate logo da minha Xiaohua.
Ao baixar os olhos para a cadela chamada Xiaohua, tanto Li Yuhan quanto Zhou Xiaochuan e Huang Xiaowan franziram o cenho.
Xiaohua não era de raça; era simplesmente um cão mestiço, com pelagem mesclada de amarelo e branco. No presente momento, seu corpo exibia apenas feridas e úlceras purulentas; pus e sangue empapavam o pelo, formando nós e incrustando-se de lama e sujeira. Enxames de moscas zumbiam ao seu redor, tornando sua condição ainda mais lastimável — estava mais imunda que um cão de rua.
Após ser atirada pelo homem corpulento como um objeto descartável, Xiaohua esforçou-se por se levantar. Contudo, tamanha era sua fraqueza que, por mais que lutasse, não conseguiu erguer-se. O esforço apenas fez com que algumas feridas cicatrizadas em suas costas se abrissem novamente, de onde o sangue fresco, misturado ao pus, escorreu formando uma poça no chão.
Diante de tal quadro, o estado de Xiaohua era de uma gravidade próxima ao colapso total.
Sem temor à sujeira, Li Yuhan adiantou-se, tomou Xiaohua nos braços com delicadeza, depositou-a sobre a mesa de exames e, após uma avaliação preliminar, olhou para Zhou Xiaochuan e disse:
— Xiaochuan, traga para mim um teste de cinomose e outro de parvovirose; quero testá-la, suspeito que esteja infectada por essas duas doenças contagiosas.
Zhou Xiaochuan aquiesceu, pegou os dois testes, recolheu as amostras e as pôs de lado, à espera dos resultados. Entretanto, não permaneceu ocioso; junto de Li Yuhan, examinou cada ferida e doença de pele que cobria o corpo de Xiaohua.
O quadro deplorável de Xiaohua fez com que Li Yuhan mantivesse o cenho cerradamente franzido. Lançando um olhar ao homem corpulento, que se acomodara numa cadeira e, de pernas cruzadas, distraía-se com o celular, não conteve a indignação:
— Como Xiaohua desenvolveu uma dermatose tão grave? E essas lesões? São claramente provocadas por mãos humanas. Diga-me, afinal, como você cuida do seu cão?
O homem largou o celular e, arregalando os olhos, rebateu asperamente:
— Você é veterinária ou policial? Por que tanta pergunta? Trate logo do bicho! Como cuido do meu cão não é da sua conta! E já aviso: se a doença da Xiaohua piorar por culpa de vocês, não me responsabilizo pelo que farei!
Sem que ninguém notasse, Zhou Xiaochuan já havia captado, dos lábios feridos e frágeis de Xiaohua, parte da verdade. Ao ouvir a ameaça do homem, resmungou friamente:
— As feridas de Xiaohua foram todas causadas por você, e ainda tem coragem de nos ameaçar!
— O que disse?! — O homem levantou-se de súbito, os olhos arregalados, encarando Zhou Xiaochuan.
Mais que indignação, havia surpresa estampada em seu rosto. Afinal, como poderia aquele veterinário, que via pela primeira vez, saber que as lesões da cadela haviam sido provocadas por ele?
— Será que este veterinário já me viu antes? Sabe dos meus podres? — O rosto do homem oscilava entre expressões, tomado por suspeitas.
Temendo um confronto, Li Yuhan apressou-se em intervir:
— Basta, Xiaochuan, não vale a pena discutir com ele. Vamos cuidar primeiro de Xiaohua.
Zhou Xiaochuan anuiu, ignorando o homem corpulento, e passou a limpar com soro fisiológico o sangue e o pus do corpo de Xiaohua.
O homem, aliviado, lançou-lhe um olhar de ódio, rosnando mentalmente:
— Por um instante achei que este veterinário tivesse mesmo descoberto algo, mas não passou de um susto. Aposto que ele só falou aquilo por dedução. Hmph! Se ousar me intimidar de novo, vou arrancar até a última moeda deles!
Enquanto Zhou Xiaochuan tratava das feridas de Xiaohua, Li Yuhan voltou-se para os testes rápidos e, ao ler os resultados, franziu ainda mais o semblante. Erguendo-se, comunicou ao homem distraído com o celular:
— Senhor, a situação de Xiaohua é grave. Além dessas lesões e doenças de pele, ela está infectada simultaneamente por cinomose e parvovirose. Dadas as condições de saúde, temo que as chances de recuperação sejam mínimas...
O homem, entretido com o celular, respondeu sem levantar a cabeça:
— Não me venha com termos técnicos, não entendo nada disso. Apenas trate do bicho. Mesmo que haja uma mínima esperança, quero que faça todo o possível! O custo do tratamento não é problema; não vou deixar de pagar o que for preciso.
Apesar das palavras aparentemente generosas, a frieza do homem não passou despercebida a Zhou Xiaochuan e Li Yuhan, que, ao trocarem olhares, perceberam algo estranho na situação.
Mas, diante da vida agonizante e do olhar suplicante de Xiaohua, não hesitaram mais.
Cruzando os olhares, Li Yuhan suspirou suavemente:
— Façamos o que nos cabe, e deixemos o resto ao destino. Que nossos esforços possam salvar a vida de Xiaohua.