Capítulo Quatro: O Grande Espírito da Raposa Amarela Que Fugiu Assustado
Eu não podia deixá-lo escapar — arranquei a chave do carro e saí em perseguição.
O Velho Imortal, ao me ver atrás dele, disparou ainda mais rápido, praguejando enquanto corria: “Moleque, pare com isso! Os assuntos da sua aldeia não me dizem respeito!”
A despeito da idade avançada, mais de sessenta anos, o velho corria com a destreza de um jovem, sem demonstrar qualquer sinal de estar ferido.
“Se você parar, eu paro de te perseguir!” Eu estava ansioso e irritado — levei-o ao hospital por bondade, ele sequer agradeceu, e agora me olha como se eu fosse um fantasma. O que isso significa?
Após algum tempo correndo, o Velho Imortal, por mais ágil que fosse, acabou por perder o fôlego diante do vigor de um rapaz robusto como eu. Parou, arfando, e me fulminou com o olhar: “Moleque, por que você é tão teimoso? Não entende o que eu digo?”
“Você precisa me contar exatamente o que está acontecendo. Caso contrário, vou te carregar de volta para Hongcun.” Ameaçava-o, certo de que o Velho Imortal sabia de algo — do contrário, não estaria tão apavorado.
A esposa de Hong Qingsheng ainda aguardava o enterro; se não repousasse em paz, como poderia ser sepultada?
Ao ouvir isso, o rosto do Velho Imortal empalideceu. “Seu moleque, quer me matar, é isso?” Olhou ao redor, apreensivo, como se temesse que alguém o ouvisse.
Diante da gravidade de suas palavras, não ousei pressioná-lo mais, mudando o tom: “Mestre, veja, nossa aldeia está à beira do caos. Não pode simplesmente lavar as mãos. Além disso, fugir dessa forma só manchará sua reputação, não acha?”
O rosto do Velho Imortal alternava-se entre tons de azul, vermelho e branco. Por fim, dando uma palmada na coxa, soltou um longo suspiro: “Ai, que seja, que seja. Venha comigo. Parece que este velho não escapará deste destino.”
Suspirei aliviado. Desde que o Velho Imortal concordasse em não se omitir, eu já tinha uma esperança. No fundo, o que mais me aterrorizava era o rosto ensanguentado da esposa de Hong Qingsheng, que eu vira na noite anterior; sentia, com uma certeza inexplicável, que se não a enterrássemos devidamente, algo terrível aconteceria — talvez até comigo.
Era apenas um pressentimento, sem qualquer explicação racional.
O Velho Imortal conduziu-me até sua casa, uma construção antiga na periferia da vila. No caminho, perguntei-lhe se não estava preocupado com a quantidade de sangue que perdera. Ele apenas balançou a cabeça: aquele sangue não era dele.
O coração me apertou. Se não era dele, de quem seria?
O Velho Imortal lançou-me um olhar severo: “Não queira saber o que não lhe diz respeito. A curiosidade pode ser fatal.”
Não ousei insistir, seguindo-o para dentro. Lá, um jovem de lábios rubros e dentes alvos veio correndo ao seu encontro, chamando-o de tio. O Velho Imortal pediu-lhe que me servisse chá enquanto ia trocar de roupa.
O rapaz aquiesceu e preparou-me uma xícara de chá. Observei-o: era belíssimo, quase feminino em sua delicadeza, tão bonito que, não fosse o pomo de adão, eu o confundiria com uma moça. Estranhei — o Velho Imortal nunca fora bonito; como podia ter um sobrinho tão encantador? Tampouco ouvira falar dele antes.
A sede era grande, então bebi o chá. O rapaz não se afastou; sentou-se à minha frente, sorrindo timidamente.
Enquanto bebia, de repente o mundo à minha volta tornou-se turvo. O rosto do rapaz começou a se distorcer, inchar horrivelmente; os belos olhos tornaram-se baços como olhos de peixe morto. O canto da boca rasgou-se, revelando dentes negros; o rosto, repleto de buracos de onde saíam vermes, coberto de gordura cadavérica.
Aquilo não era um ser humano — era um cadáver pútrido e fétido!
Soltei um grito de terror, o corpo tomado por arrepios gelados. Quis fugir, mas as pernas não obedeciam.
O rapaz virou-se em direção ao quarto do Velho Imortal e disse, sorrindo: “Tio, ele já tomou o chá.”
Tudo escureceu diante dos meus olhos; perdi por completo a consciência.
…
Não sei quanto tempo se passou. Despertei, aturdido, em meio à penumbra. Formas negras vacilavam ao meu redor; entre elas, pequenos pontos de luz cintilavam.
Despertei de súbito, percebendo que minhas mãos e pés estavam amarrados a um tronco de madeira, pendurado de cabeça para baixo. A noite já caíra. As formas negras eram moitas de bambu, balançando e sussurrando ao vento, entrecortadas aqui e ali por luzes de estrelas.
Era o mesmo bambuzal onde salvara o Velho Imortal — de algum modo, eu havia retornado ali.
“Tio, ele acordou.”
A voz soou aos meus ouvidos. Virei a cabeça: era o sobrinho do Velho Imortal, com o próprio Velho ao lado. Ambos atiravam bambus e lenha sob meu corpo.
Assustei-me: “Velho Imortal, o que estão fazendo comigo?”
“Não estamos fazendo nada”, disse o rapaz, sorrindo timidamente, “só vamos te queimar até a morte.”
Sua voz era leve e alegre, como se falasse de modelar um boneco de barro.
O medo me paralisou; olhei para baixo e vi que a lenha era farta — se ateassem fogo, eu seria reduzido a cinzas. Gritei: “Velho Imortal, não temos inimizade! Por que quer me matar? Nunca lhe fiz mal!”
Arrependo-me amargamente de tê-lo perseguido. Agora, estava à mercê deles, minha vida por um fio.
“Não me culpe”, disse o Velho Imortal, fitando-me friamente. “Deixar você viver será um desastre certo. Melhor eliminá-lo logo, antes que traga ruína para todos.”
Fiquei atônito.
Eu? Um desastre?
A quem eu prejudiquei?
Na escola, nunca fiz mal a colega alguma — no máximo, flertei um pouco, sem nunca tocar em ninguém. Ainda sou virgem. O pior que fiz foi matar algumas galinhas, patos e peixes. Isso conta?
“Mestre, por favor, vamos conversar…”
O suor frio escorria por mim. Não ousava mais desafiar; se ele se irritasse e ateasse fogo, estaria perdido. Supliquei: “Certamente há um engano. Só voltei à aldeia há poucos dias, nunca fiz mal a ninguém. Deixe-me ir, ainda não me casei… Prometo não chamar a polícia, nunca cometi crime algum…”
Enquanto falava, lágrimas me corriam pela face — o medo era genuíno.
O que fiz para merecer isso? No máximo, fui um comerciante desonesto vendendo celulares e computadores, mas quem nunca? Que comerciante neste mundo não tem suas falhas?
“De fato, você não fez mal algum. Mas, já que atraiu a atenção daquela coisa em sua aldeia, não me culpe por ser implacável”, disse o Velho Imortal, o rosto contorcido.
“Aquela coisa da minha aldeia?” Engoli em seco. “Que coisa é essa?”
O Velho Imortal balançou a cabeça, recusando-se a responder. Ordenou ao rapaz: “Tape-lhe a boca. À meia-noite, queime-o.”
O rapaz obedeceu, tirando de algum lugar um pano, que enfiou à força em minha boca. Gritei, xinguei, debati-me com todas as forças, mas em vão. Não satisfeito, ele ainda me vendou os olhos e se aproximou, sussurrando: “Você já não é mais você.”
Então, ouvi os passos dele e do Velho Imortal se afastando.
Pendurado de cabeça para baixo, mudo e cego, o pavor me dominou. Debati-me até perder as forças, em vão.
A mente era um turbilhão: afinal, que coisa era aquela de que o Velho Imortal falava?
Por que ela me escolhera?
Seria o espírito vingativo da esposa de Hong Qingsheng?
Mas eu nada lhe fizera. Pelo contrário, para salvar seu filho, eu fora o mais dedicado de todos na aldeia.
Se alguém merecia isso, era Gao Mingchang — por que eu?
Só de pensar em fantasmas e espíritos, um frio percorria minha espinha. O bambuzal era escuro mesmo de dia; quando criança, já me assustava ali. Agora, à noite, o medo era tão intenso que a bexiga ameaçava se soltar.
Mas o destino é cruel: o que mais tememos sempre acontece.
Logo ouvi algo se movendo entre os bambus; passos furtivos, sussurros secos. Eu não via nada, mas sentia claramente: havia algo me observando nas sombras.
Seria uma fera?
A aldeia de Hong ficava isolada nas montanhas, e animais selvagens não eram raros.
Ou talvez não fosse animal algum, mas “aquela coisa” de que o Velho Imortal falara?
Os pelos do corpo se eriçaram. Tomado de terror, gritei com todas as forças, pouco me importando com as consequências; precisava extravasar, ou enlouqueceria de medo.
A cada grito, os sons rastejantes se multiplicavam — não era apenas um, eram vários. Às vezes, ouvia o ruído de algo sendo mastigado, como ossos esmagados.
E eles se aproximavam cada vez mais!
O tempo passava lentamente, cada segundo um suplício. Não sei quanto tempo se passou, quando de repente, o sussurro ao redor transformou-se em corrida — as coisas não vinham a mim, mas se afastavam.
Parei de gritar. Uma intuição me dizia: algo novo chegara, algo — ou alguém — assustara aquelas criaturas.
Minha primeira suspeita foi que o Velho Imortal e o sobrinho tivessem voltado, mas não ouvi passos. O silêncio era absoluto; até o canto dos insetos cessara.
Tremia dos pés à cabeça. Por fim, a bexiga cedeu e uma onda de frio percorreu meu corpo ao ser atingido pelo vento noturno.
“Quem está aí?!”
Não sei se a voz saiu audível, mas gritei. Ninguém respondeu.
No instante seguinte, senti minhas mãos se soltarem; caí pesadamente no chão. Ao puxar, percebi que as cordas haviam se afrouxado.
Imediatamente retirei a venda dos olhos e, olhando em volta, vi-me sozinho — não havia ninguém.
A estranheza da situação me apavorou ainda mais. Sem pensar em quem me libertara, desatei as cordas dos pés e, tropeçando, corri para fora do bambuzal, evitando o caminho por onde o Velho Imortal e o sobrinho haviam partido, temendo cruzar com eles.
O bambuzal não era grande; entre as frestas, via-se ao longe a luz de casas camponesas. Corri em linha reta em direção àquelas luzes.
Após algum tempo, percebi algo estranho: as luzes das casas estavam na direção certa, mas não importava o quanto eu corresse, jamais alcançava a orla do bambuzal, claramente visível à minha frente.
As pernas fraquejaram. Uma lembrança aterradora me ocorreu:
Estava preso em um “labirinto fantasma”.
…