Capítulo Seis: Yamazaki Ai Deseja Convidar

Permainan Cinta Berbahaya di Tokyo Burung Hantu Elang 2706kata 2026-03-13 14:49:43

— Onde você está? — perguntou Yamasaki Ai, tomando a iniciativa.

Em sua voz havia um quê de ansiedade, semelhante à inquietação de uma jovem que, em meio a um encontro, não consegue encontrar o namorado. Não havia traço de formalidade, tampouco de tratamento respeitoso — destoava por completo da imagem habitual de Yamasaki Ai: fria, distante, porém sempre cortês.

— Estou em um pequeno jardim, há uma fonte, um lago artificial com rochas. Perto do banco ao norte da fonte — respondeu Kamitani Asukawa do outro lado da linha, a voz concisa e gentil, como um educador paciente que encoraja uma criança diante de uma prova de múltipla escolha.

Yamasaki Ai logo reconheceu o local. Não havia muitos refúgios de silêncio naquela escola, e ela conhecia quase todos. O banco junto à fonte era, inclusive, um de seus recantos habituais. Mas, por prudência, jamais repetia o mesmo esconderijo durante dias seguidos — não queria que seus pretendentes desvendassem seus caminhos.

Apressou o passo. Ao chegar à borda da fonte, avistou Kamitani Asukawa.

No jardim de início de primavera, flores de todos os matizes desabrochavam, e o perfume das pétalas, impetuoso, misturava-se ao ar, trazendo consigo o frescor único da estação, que afagava o rosto de Yamasaki Ai. O vento suave fazia dançar suas mechas curtas, e a luz do sol, fragmentada pela névoa da fonte, desenhava pequenos arco-íris entre ela e Asukawa.

Sentado no banco, Kamitani Asukawa fitava Yamasaki Ai com olhar intenso; ao seu lado, repousava uma caixa de mousse de manga.

"De fato, não há imperfeição em sua aparência — um homem quase perfeito", pensou Yamasaki Ai. Se o homem lascivo de instantes atrás era uma peça defeituosa, Asukawa era uma relíquia preservada, portador de maturidade encantadora e uma beleza capaz de enlouquecer. Mais inquietante ainda era sua óbvia consciência disso — dele irradiava, a todo momento, um halo letal de perfeição.

— Tens razão. Dizer que és um homem perfeito não é lisonja. Então, posso finalmente louvar tua habilidade na cozinha? — Yamasaki Ai, diante de Asukawa, despia o manto de indiferença reservado aos outros, e com um toque de humor, sentava-se ao seu lado no banco, de modo natural.

Ainda assim, entre eles restava um espaço. Percebendo o gesto, Asukawa também se deslocou discretamente para o lado, mantendo a distância apropriada entre homem e mulher, correspondendo à reserva dela.

Esse pequeno gesto fez crescer ainda mais a estima de Yamasaki Ai por Asukawa. Em seu coração, a imagem de um cavalheiro gentil e cortês erguia-se, lentamente.

【A afinidade de Yamasaki Ai aumentou em 1 ponto! Agora: 16 pontos.】

Como previsto.

Asukawa suspirou para si.

A senpai Yamasaki trazia em si um orgulho próprio, e, de fato, tinha motivos para tanto. Afinal, uma pontuação total de 89 em carisma a colocava entre a elite.

Mas Asukawa não desgostava de garotas assim. Com uma maturidade psicológica muito além dos estudantes do ensino médio, apreciava conviver com jovens ajuizadas — eram infinitamente preferíveis àquelas obcecadas que se atiravam sobre ele à primeira oportunidade.

Assim sendo...

O que restava a Asukawa fazer era apenas confirmar se a senpai Yamasaki necessitava de sua ternura.

Era algo simples, fácil de atestar.

Bastava, conforme suas próprias diretrizes, expor todas as qualidades à mostra e deixar que a escolha partisse da outra pessoa.

Tal como fizera na noite anterior, ao dizer a Yamasaki Ai que, trocando contatos, poderia preparar-lhe uma sobremesa especial em dias de mau tempo — e deixar sobre o balcão um papel com seu número anotado.

Talvez, sob o olhar de Deus, seus gestos pudessem soar como tentativas ardilosas de seduzir, como a serpente que induziu Adão e Eva ao fruto proibido.

Contudo, Asukawa julgava-se muito superior aos canalhas que enganam jovens e as forçam a escolher.

Acompanhando o tema iniciado por Yamasaki Ai, Asukawa lhe estendeu o mousse de manga.

— Bom apetite. Se teu elogio me alegrar, esta ficará por minha conta.

— Ora, então meu elogio vale só 350 ienes? — replicou ela, divertida.

— Ou talvez, o que faço na confeitaria valha apenas um elogio. Afinal, esta é a única mousse de manga do Japão capaz de conceder felicidade até a quem tem alergia a creme de leite.

Com um sorriso sutil, Asukawa devolveu-lhe a piada e, em seguida, calou-se. Sacou um caderno de vocabulário e começou a estudar inglês. Yamasaki Ai, murmurando um discreto “Itadakimasu”, iniciou sua delicada refeição.

O silêncio entre ambos era preenchido apenas pelo canto dos pássaros, pelo aroma das flores e pelo som da fonte dispersando a luz do sol — melodias que encantavam o coração da jovem dupla.

O tempo deslizou célere. Em poucos minutos, Yamasaki Ai terminou o mousse de manga e, desta vez, um sorriso de pura felicidade despontou-lhe no rosto.

— Obrigada pela refeição.

— Não há de quê — respondeu Asukawa, sem levantar os olhos do caderno.

Para ele, buscar assunto era difícil. E julgava pouco interessante forçar conversa se a outra parte não demonstrava vontade. Nos sentimentos, só cria em reciprocidade; quem toma a iniciativa, perde.

Por isso, preferia esperar, paciente, que o coelhinho inquieto viesse por vontade própria ao limiar de sua armadilha.

— Kamitani-kun, você é calouro? — A pequena lebre, enfim, quebrou o silêncio, saindo da floresta.

Marcando a página no caderno, Asukawa recolheu-o e virou-se levemente para Yamasaki Ai.

Era seu modo de respeitar as garotas que puxavam conversa: não importava quem fosse, sempre largava de lado o que fazia para lhes dar atenção.

Asukawa chamava isso de a virtude básica de um verdadeiro homem.

— Claro. Calouro do primeiro ano, turma E: Kamitani Asukawa. Talvez, diante da senpai, devesse mostrar mais humildade?

Foi uma brincadeira, pois Asukawa acreditava que não havia, naquele mundo, garota de mesma idade capaz de fazê-lo se curvar. Ademais, aos olhos de um reencarnado, Yamasaki Ai, com seus dezessete anos, não passava de uma menina — nem sequer era sua contemporânea.

— Não é preciso, Kamitani-kun. Gosto muito da impressão que me causa. É como estar habituada ao gosto amargo do feijão-mungo e, de súbito, provar deliciosos cogumelos. Quero conversar de igual para igual, desejo aproximar-me ainda mais.

Tão franca confissão, contudo, não era fruto de paixão.

Os olhos de Asukawa semicerraram por um instante, e ele atribuiu um significado às palavras de Yamasaki.

Sua capacidade de discernir sentimentos era assustadora. Percebia, nitidamente, que o que ela dizia não tinha nada de amor entre homem e mulher; era, simplesmente, a expressão literal.

Parecia, até, uma menina do jardim de infância dizendo ao colega expansivo: “Da próxima vez, vamos brincar juntos de novo?”

Conviver por anos com homens cheios de defeitos levou Yamasaki Ai a desenvolver fobia de homens. Mas, ao perceber que jamais poderia evitá-los por completo, passou a se fechar em si mesma, lidando com todos de modo apático.

Aos olhos alheios, era alguém inacessível, envolta por uma aura de rejeição, indiferente a tudo e a todos.

Contudo, ao entrar pela primeira vez na confeitaria Kamitani, ela deparou-se com um tesouro raríssimo: um funcionário absolutamente perfeito.

Desde então, não importava quão terrível estivesse o tempo, se tivesse oportunidade, ia todos os dias comer uma sobremesa preparada por Asukawa — sem falta.

Se, em algum dia, Asukawa não estava presente, sentia-se inquieta, buscava saber onde ele estava, quando estaria disponível novamente.

Inicialmente, pensara que a relação entre ambos se limitaria à de uma colecionadora que encontra uma raridade: podia admirar de longe, nunca possuir.

Eram quase desconhecidos, mal trocavam palavras; bastava-lhe o breve tempo passado na confeitaria e o sabor das sobremesas que a faziam feliz.

Mas hoje, cercada por pretendentes indesejados, viu o dono de sua luz surgir, abrindo caminho na multidão...

Numa coincidência assim, decidiu finalmente dar o passo que tanto ponderara.

— Kamitani-kun, você não gostaria de considerar entrar para o clube de arco e flecha?

Yamasaki Ai falou com solenidade — era a primeira vez que convidava um rapaz.