Capítulo Cinco: Ryousuke, o Deus Eterno!
— Muito bem, vamos, eu me lembro que o clube de beisebol permite sair mais cedo — disse Ryosuke.
Mas Ashitokawa não queria sair agora, ou melhor, não conseguia! Dois minutos: se não elevasse o grau de simpatia do alvo, morreria! A advertência era simples e direta, e o alvo era definitivamente a veterana Yamazaki Ai. Ou seja, ele precisava encontrar um modo de agradar a Yamazaki-senpai em apenas dois minutos!
— Maldição! Preciso pensar em algo! — Ashitokawa cerrou os dentes, observando Yamazaki Ai cercada pela multidão.
— Yamazaki-san, este é um prato especial de tempurá que encomendei para você, por favor, aproveite enquanto está quente!
— Yamazaki-senpai, você deve estar cansada, aqui está um milkshake de morango, aceite por favor!
— Idiota! A Yamazaki-senpai detesta doces, e você ainda lhe traz um milkshake!
Com a chegada do meio-dia, os veteranos encarregados do recrutamento preferiram não ir ao refeitório; chamavam amigos para trazer comida de fora e improvisavam ali mesmo na praça. Yamazaki Ai, ocupada ajudando seu clube a recrutar novos membros, também não comia. E assim, os pretendentes de Yamazaki-senpai viram sua oportunidade.
Porém, estava claro que um deles não havia feito a lição de casa.
— Hein? Yamazaki-senpai detesta doces? Me desculpe! — O calouro que trouxera o milkshake de morango coçou a cabeça, constrangido, e recolheu silenciosamente o milkshake da mesa, afastando-se sob o olhar de todos.
O olhar de Yamazaki Ai permaneceu fixo no milkshake, mas por fim ela o afastou, suspirando baixinho.
— Vejam, até a Yamazaki-senpai não aguenta, suspirando diante de tanta ingenuidade.
— Exatamente, vocês, calouros, até têm desculpa, mas lembrem-se: Ai-chan demonstra aversão até ao se aproximar de doces, ela realmente os detesta, não tragam mais — advertiu bondosamente uma das garotas do clube de arco.
Ashitokawa, atento a Yamazaki Ai, respirava cada vez mais rápido, sintomas de um colapso iminente devido à queda de pontos. Era o efeito da baixa pontuação: desde que desbloqueou o perigoso jogo de romance no ensino fundamental, jamais deixara seus pontos caírem abaixo de 2000, mas após gastar uma quantidade na noite anterior, não teve tempo de repor, e agora enfrentava uma emergência.
Doces...
Doces...
Quer comer doces?
Ashitokawa parecia ter notado uma linha no status de Yamazaki Ai: desejo de comer doces.
【Nome: Yamazaki Ai】
【Status atual: não quer conversar com rapazes + quer comer doces + ficou ainda mais faminta por causa do milkshake + não pode revelar que é alérgica ao creme e por isso não pode comer doces】
Achou!
Ashitokawa retirou de sua mochila uma caixa de mousse de manga, seu próprio almoço.
Abrindo caminho entre a multidão, Ashitokawa, com o rosto rubro de falta de ar, posicionou-se diante de Yamazaki Ai.
— Nunca imaginei que teria de chamá-la de senpai — disse Ashitokawa após inspirar fundo algumas vezes.
Yamazaki Ai, que já havia transformado seu antigo desprezo por homens em indiferença graças à sua peculiaridade, não costumava ser alvo de tantas abordagens. Normalmente, se refugiava em lugares tranquilos; hoje, viera ajudar o clube de arco, sem esperar tamanha perturbação.
Seu semblante, antes sereno e frio, começava a revelar irritação. Ao ouvir mais uma tentativa de aproximação, Yamazaki Ai olhou, visivelmente incomodada.
Mas, surpreendentemente, era o jovem proprietário da confeitaria Kamiya diante dela.
— Você... — O ar de irritação desapareceu de seu rosto, substituído por surpresa.
— Não teve tempo de almoçar, não é? Que tal antecipar a expectativa do próximo almoço? — Ashitokawa depositou o mousse de manga sobre a mesa do recrutamento.
A cena foi testemunhada pela multidão, que, inicialmente ruidosa, foi gradualmente silenciada.
Então, alguém soltou um riso, e de repente explodiu uma gargalhada ensurdecedora.
— Hahaha, os calouros são todos idiotas?
— Ei, você! Eu já disse que Ai-chan detesta doces, está provocando de propósito? — A garota do clube de arco, antes gentil, agora estava irritada.
Era uma provocação deliberada?
Com aquele rosto bonito, era pura perda de tempo!
A garota do clube de arco corou de raiva, resmungando consigo mesma.
— Ei, vejam, esse kouhai está todo vermelho, quem diria que é tão tímido!
— Hahaha!
O rubor de Ashitokawa foi interpretado como timidez; afinal, abordar a musa da escola sendo um calouro era mesmo constrangedor, ainda mais oferecendo algo que ela detestava.
Mas Yamazaki Ai não demonstrou qualquer aversão; ao contrário, olhou nos olhos de Ashitokawa e perguntou com seriedade:
— Foi você quem fez?
Se alguém prestasse atenção, perceberia até certa expectativa na voz!
Ashitokawa assentiu, quase sem conseguir falar; restavam apenas 300 pontos e trinta segundos para morrer.
O semblante austero de Yamazaki Ai suavizou. Cuidadosa com o olhar dos colegas ao redor, ela sacou o celular e digitou discretamente.
Logo, o celular de Ashitokawa vibrou com uma notificação do LINE.
Ao mesmo tempo, uma mensagem do sistema apareceu.
【A simpatia de Yamazaki Ai aumentou 5 pontos! Agora está em 15!】
【Por um triz! Sua habilidade excepcional e sua individualidade despertaram o interesse da fria flor de narciso; apesar do desprezo e da chacota, você os surpreendeu. Como se sente? Já experimentou um leve prazer no perigoso jogo de romance? Espero que aguente mais algumas rodadas, desfrute do amor em meio ao perigo e então siga rumo à destruição!】
【O jogo de romance perigoso terminou, pontos consumidos: 1120】
【Restituído o dobro do consumo, pontos restantes: 2440】
— Hah... hah... hah...
Ashitokawa respirou o ar fresco, como um peixe retornando ao rio, aspirando com avidez.
Quase morrera!
Pegou o celular e abriu o LINE. Era uma mensagem de Yamazaki Ai.
[Você pode levar o mousse de manga? Encontre um lugar sem pessoas, depois vou te procurar. Por favor.]
Ashitokawa ergueu o olhar para Yamazaki Ai, percebendo naquele olhar frio e sereno um súplice quase imperceptível. Sem demonstrar emoção, assentiu, recolheu o mousse de manga e afastou-se da multidão.
— Ryosuke, preciso resolver algo, cuida disso para mim, por favor — sussurrou Ashitokawa ao ouvido de Ryosuke, partindo sem olhar para trás rumo ao interior do campus.
Ryosuke assentiu, acompanhando Ashitokawa com o olhar.
— Tsc, esses calouros vêm cortejar a senpai sem saber de nada, que arrogância! — comentou um veterano, sarcástico, ao ver Ashitokawa partir, lançando um olhar de superioridade aos demais calouros pretendentes de Yamazaki Ai, com clara intenção de insultá-los indiretamente.
— Bem... não fazer a lição de casa e cortejar cegamente é realmente imprudente, mas tirar fotos de alguém e transformá-las em amuletos para carregar consigo talvez seja ainda mais nojento. Quem sabe o quarto inteiro não esteja repleto de fotos da Yamazaki-senpai, usadas para fins indescritíveis? — Habu Ryosuke, com as mãos atrás da cabeça, falou despreocupadamente, lançando um olhar de desprezo ao veterano, como se visse um lixo humano.
— Você! O que disse? Difamar um veterano é grave, peça desculpas! — O outro, como se tivesse sido pisado no rabo, mostrou um olhar ameaçador e elevou a voz.
— Ah, desculpe, senpai, mas eu não disse nada sobre você. Por que deveria pedir desculpas? Acaso fez o que eu descrevi? — Ryosuke, com um sorriso falso de “arrependimento”, provocou o veterano, sem mostrar o respeito típico dos calouros.
Não era necessário. Fora da companhia de Ashitokawa Kamiya, era o segundo filho do Grupo Habu, admitido por influência; embora não abusasse do status, jamais demonstrava a humildade tradicional dos japoneses.
E, confiante, confiava em seus olhos.
Enquanto observava a multidão, Ryosuke notara o amuleto pendurado no pescoço do veterano, estampado com uma foto de Yamazaki Ai; ao verificar o celular, viu o fundo de tela também com uma foto furtiva dela. O rosto cansado, a língua amarelada, suor na testa e até dificuldade para ficar em pé, tudo indicava excesso de indulgência.
Quanto ao objeto de desejo, nem precisava dizer.
Quem consegue entrar em Jinde não é burro; mesmo os filhos de ricos que compram a vaga não são idiotas — pelo contrário, são polidos, cultos, verdadeiros candidatos a elite.
Por isso, ao ser apontado por Ryosuke, a multidão compreendeu, e passou a demonstrar desprezo não disfarçado, afastando-se e deixando o veterano isolado.
Yamazaki Ai, dotada de habilidades especiais, via todos os defeitos daquele rapaz, mas mantinha o semblante quase impassível.
Já vira muitos como ele; quando criança, ainda expressava repulsa, mas hoje, só restava a tristeza de contemplar uma peça imperfeita, e o hábito da indiferença.
— O recrutamento termina aqui, tenho algo a tratar — Yamazaki Ai levantou-se, lançando um olhar pensativo para Ryosuke antes de se afastar.
Restou apenas o veterano, petrificado pela humilhação pública; quando decidiu se vingar de Ryosuke, este já havia escapado.
Livre da multidão, Yamazaki Ai buscou o caminho mais solitário, e logo seu celular tocou.
Era Ashitokawa.