Capítulo Oito: O Boneco de Pano Branco

Dunia hancur, dan aku menjadi harapan terakhir seluruh umat manusia. Mencium adik perempuan 4812kata 2026-03-15 14:46:17

Lin Xiaoman, contrariada, apontou para um botão e explicou o procedimento correspondente.

Depois de compreender os passos do desbloqueio, Su Xiaobei lançou um olhar desconfiado a Lin Xiaoman:

— Para ser sincera... Naquela vez, fui libertada por você do mesmo modo?

Ao recordar, Su Xiaobei não conseguia entender como sua cápsula de hibernação fora parar no meio da estrada. Além disso, na parte externa da cápsula havia informações sobre a identidade da hibernante; Lin Xiaoman só a havia libertado depois de ver seus dados.

Ainda aborrecida, Lin Xiaoman revirou os olhos e permaneceu calada, mas o silêncio era eloquente.

Su Xiaobei suspirou, recolheu o olhar e esfregou as mãos:

— Pois bem, recorramos à sincera amizade para dar as boas-vindas à senhorita Saraliwa, vinda do Norte...

Mal as palavras saíram de sua boca, a cápsula de hibernação se rompeu com um estrondo, liberando uma nuvem de fumaça branca.

No meio de faíscas elétricas e chamas crepitantes, surgiu diante deles um gigante robusto e másculo, de rosto coberto por uma espessa barba.

A barba cerrada lhe encobria o semblante, a pele era clara, e o peito, recoberto de pelos. Seu corpo era imenso, o torso largo e vigoroso, ostentando músculos peitorais exagerados e braços como troncos — uma verdadeira configuração à la Dwayne Johnson.

Olhando para o colosso à sua frente, Lin Xiaoman fungou e perguntou:

— Xiaobei, tem certeza de que ele se chama Saraliwa? É mesmo uma moça russa?

— Ahm...

Enquanto ambas permaneciam estupefatas, o gigante de súbito abriu os olhos dentro da cápsula.

Su Xiaobei levou um susto.

— Caro amigo estrangeiro, está bem? Eu me chamo Su Xiaobei. Por acaso... ah? Não entende chinês? Inglês, talvez? Do you speak English...

No entanto, o gigante se mostrou irritadiço, sentou-se abruptamente na cápsula e começou a falar em uma língua incompreensível, dirigindo-se a Su Xiaobei e Lin Xiaoman.

Assustada, Lin Xiaoman escondeu-se atrás de Su Xiaobei e sussurrou:

— Xiaobei, ele está bravo... Será que já percebeu que roubei seu chocolate?

— Calma, provavelmente é só mau humor ao acordar — tentou Su Xiaobei apaziguar.

O gigante repetiu suas palavras ameaçadoras em tom feroz, e, diante dos gestos negativos de Su Xiaobei e Lin Xiaoman, bateu a cabeça, impaciente, e saiu da sala como um gorila enfurecido.

Ambos permaneceram atônitos por instantes. Do lado de fora, já se ouviam os gritos estridentes de um bando de macacos.

Trocaram olhares, saíram apressados do compartimento e abriram a janela encoberta por uma cortina fina.

Lá embaixo, viram o gigante cercado pela horda de macacos no convés. A massa de animais cobria toda a superfície, e seu corpo colossal afundava-se no meio deles.

— Força, Saraliwa! — gritou Lin Xiaoman pela janela.

O brado fez com que os macacos que não conseguiam se aproximar levantassem os rostos, fitando em uníssono o segundo andar.

...

A refrega perdurou por mais de duas horas. Só ao cair da tarde, quando a cidade se tingiu de crepúsculo, os persistentes macacos bateram em retirada, voltando para seus ninhos.

O gigante russo mostrou-se digno de seu povo guerreiro: mesmo coberto de feridas, abateu dezenas de macacos, deixando o convés manchado de sangue sob o sol poente.

Su Xiaobei trocou de roupa na sala secreta, vestindo-se da cabeça aos pés, cingindo à cintura armas de fogo e facas.

Lin Xiaoman, solícita como uma esposa recém-casada, o ajudava a equipar-se, pendurando objetos um a um em seu cinto.

— Xiaobei, acredita em mim, leve também esta granada; pode salvar sua vida num momento crítico.

Lançando um olhar para a cintura abarrotada, Su Xiaobei recusou com um gesto:

— Melhor não... Nem falo do peso, mas se isso explodir em mim...

Além das armas, Lin Xiaoman enfiava chocolates e outros mantimentos que não conseguia carregar. Assim, quando o gigante retornou ferido à sala, deparou-se com dois asiáticos atulhados de bolsas, panelas e tigelas.

Ele lançou-lhes um olhar fulminante, mas seus passos eram trôpegos.

Enquanto Su Xiaobei e Lin Xiaoman hesitavam, o homem tombou pesadamente ao chão — seu corpo imenso fez o chão tremer ao rolar.

— Ele morreu? — indagou Su Xiaobei.

— Está em choque, traga um pouco de água.

O arsenal da sala era completo: além de armas e comida, havia medicamentos e equipamentos médicos básicos.

Su Xiaobei estancou e tratou as feridas do gigante. A noite logo caiu, e a escuridão envolveu o navio, exceto pela luz branca e solitária da sala, destoando do restante do espaço degradado.

Os alimentos do refrigerador haviam recebido tratamento especial; embalados a vácuo e congelados, não se deterioraram mesmo após um século.

...

Lá fora, o luar era sedoso. Lin Xiaoman, segurando um punhado de chocolate, chorava de felicidade.

— Su Xiaobei, encontrar você foi a maior sorte da minha vida. Já se passaram dois anos... Dormi em túneis, comi gafanhotos, bebi... enfim, enfrentei perigos incontáveis, mas nunca fui tão feliz e satisfeita como hoje. Com você, não me sinto mais perdida, nem hesitante, nem...

— Por que essa empolgação toda? — Su Xiaobei revirou os olhos. Vendo que as feridas do gigante estavam sob controle, respirou aliviada e abriu um chocolate.

O aroma denso do chocolate a envolveu, mas, ao aproximá-lo da boca, Su Xiaobei hesitou.

— Afinal, faz mais de cem anos... Será que não vai me fazer mal?

Lin Xiaoman, com as bochechas infladas como um hamster, mastigou e respondeu:

— Se não quiser, deixe tudo pra mim. Temos carne fresca.

— Que carne fresca? — indagou Su Xiaobei.

— De macaco — Lin Xiaoman apontou para fora. — No convés ainda jazem dezenas de macacos abatidos pelo “Saraliwa”. Que tal recolhermos alguns para o jantar?

— Você só pensa em comer macaco? Agora entendo por que nos perseguiram tanto.

— Você é que nunca sofreu na vida! — Lin Xiaoman retrucou, aplaudindo as mãos e preparando-se para ir recolher os macacos.

Nesse instante, uma estranha algazarra se misturou ao lamento do vento noturno: sons indistintos, ora abafados, ora intensos.

Lin Xiaoman parou, atenta:

— Está chovendo?

— Com uma lua tão grande, como poderia chover? — Su Xiaobei respondeu.

— Chuva de lua...

Aproximando-se da janela, Lin Xiaoman olhou para a lua imensa, depois baixou os olhos ao convés...

Ao deparar-se com a cena, engoliu o ar com um sibilo, o corpo encolhendo, os olhos arregalados.

— Su Xiaobei... Estamos em apuros! — murmurou, retraindo o pescoço e andando nas pontas dos pés.

— O que foi?

— Olhe você mesmo... — cochichou, temendo que um som mais alto alarmasse o que quer que fosse.

Su Xiaobei foi até a janela, e o fôlego lhe faltou:

Sob a luz espessa da lua, uma horda de criaturas humanoides recobertas de escamas dilacerava e devorava os cadáveres dos macacos. Uns tinham fisionomia feroz, outros exibiam dentes afiados. Suas escamas e presas cintilavam com um brilho gelado sob o luar sangrento.

— São homens-escama?

— Não disseste que estavam quase extintos pelos Ceifadores da Noite? Como vieram parar aqui? Quando subiram a bordo?

Lin Xiaoman fez sinal para fechar logo a porta da sala, sussurrando:

— Não subiram, com certeza.

— Não subiram? Então vieram de dentro do navio?

Como para responder à dúvida, de repente sons furtivos ecoaram pelo corredor — como crianças traquinas deslizando silenciosamente. Logo após, o ranger da escada de madeira.

— Agora entendo por que os macacos não invadiam o navio. Isto aqui é o covil dos homens-escama!

— Silêncio, vamos fechar a porta...

A porta da sala era de aço espesso, pesada e grosseira. Sem motor, só à força bruta seria possível fechá-la, e o cadeado eletrônico já fora danificado por Su Xiaobei.

— Ainda bem que estão ocupados devorando os macacos. Se não, seríamos o jantar deles.

— Rápido, feche logo; os macacos vão acabar.

Enquanto se esforçavam, o gigante, mesmo ferido, levantou-se abruptamente.

Su Xiaobei e Lin Xiaoman, sobressaltadas, olharam para ele.

E o gigante, não decepcionando as expectativas, recuperou o fôlego e bradou estrondosamente um “***********”.

A voz ressoou forte e profunda, ensurdecedora.

— Ai, meu Deus... — Lin Xiaoman quase chorou. — Senhor Saraliwa, por favor, não grite! Estamos sob ataque, precisa escolher um lado!

O urro do gigante provocou tumulto no corredor e nos arredores da janela. Podia-se ouvir até o atrito das escamas.

— Empurre com força! — gritou Su Xiaobei, sentindo o tempo se esvair.

Mas a porta era demasiado pesada. Logo, uma onda de criaturas reluzentes irrompeu pela janela, num estrondo de vidro estilhaçado.

A luz avermelhada da lua, o vento uivante,

e diante deles, homens-escama de olhos cinzentos, orelhas grandes e pontiagudas, desprovidos de nariz e lábios, a pele e o rosto cobertos de escamas, tornando-os ainda mais repulsivos.

Os braços eram longos, apoiando-se nas quatro patas; apesar da forma humana, havia membranas entre os dedos e fendas branquiais atrás das orelhas.

Diante daqueles seres grotescos, Su Xiaobei engoliu em seco.

— Xiaoman, estes não se parecem com o que a Lua Demoníaca matou ontem...

— Estes são os verdadeiros homens-escama; ontem você viu um mutante. Para os Ceifadores da Noite, porém, todos são iguais.

Ao dizer isso, Lin Xiaoman desejava, do fundo da alma, que um Ceifador da Noite aparecesse.

Mas, naquele momento, nada mais adiantava.

...

Cercados por todos os lados, só restava tentar fechar a porta.

Curiosamente, após o brado, o gigante estava calmo e resoluto. Lançou um olhar ao arsenal, e sua face barbada se crispou de fúria e sede de sangue.

Agarrou uma metralhadora e saiu disparando, numa sinfonia de estampidos, clarões, cartuchos caindo, balas perfurando carne, urros monstruosos...

Os olhos de Su Xiaobei se iluminaram, como se só então se lembrasse das armas: era a aurora de uma nova esperança.

— Quero lutar, quero...

Mas, ao pegar o AK, viu que nada sabia sobre armas: nem trocar coronha, nem recarregar.

Lin Xiaoman, aflita, pisava forte no chão:

— Ai, Su Xiaobei, será que não consegue? Deixe o Saraliwa segurar a linha, e a gente fecha logo a porta!

Após breve reflexão, vendo o gigante combater com bravura, a cabeça enfaixada, exalando imponência digna de Stallone, Su Xiaobei decidiu:

— Então vamos fechar a porta, antes que venham reforços.

Sob a proteção do gigante, conseguiram, por fim, fechar a porta de aço.

Exaustos, ambos se largaram à parede, ofegantes.

Do lado de fora, os tiros cessaram gradativamente, então ouviram batidas urgentes à porta.

— Matou todos os homens-escama? — Lin Xiaoman inclinou o pescoço.

Su Xiaobei colou o ouvido, mas as batidas pararam; lá fora, o tumulto aumentava.

— Será que ficou sem munição?

Ambos se entreolharam, como que despertando:

— Ah...

...

— Xiaobei, será que abrimos a porta para jogar algumas balas ao Saraliwa? — Lin Xiaoman perguntou, penalizada.

Su Xiaobei, sombrio, balançou a cabeça:

— Temo que já seja tarde demais.

— Ai! Tudo culpa nossa... — lamentou Lin Xiaoman, apoiando o queixo entre as mãos.

Su Xiaobei sentia-se vagamente culpada, tomada pelo remorso.

— Não sabemos seu nome; que Saraliwa seja para ele. Se ao menos amanhã encontrarmos seus ossos, poderemos sepultá-lo com uma lápide.

...

Entre o peso da culpa e a tristeza, ambos adormeceram encostados na porta.

Ao despertar, já quase ao meio-dia, abriram cautelosamente uma fresta.

O que viram foi um mar de destroços e sangue.

Mas estava silencioso. Raios de sol atravessavam as janelas quebradas, derramando uma aura difusa sobre os ossos.

— Eles se foram? — murmurou Su Xiaobei.

Lin Xiaoman apertou os lábios:

— Homens-escama só saem à noite; de dia não aparecem.

Trocaram um olhar, buscando ânimo na expressão alheia. Então, reunindo coragem, abriram de vez a porta.

Ambos se espantaram.

Muito mais cadáveres de homens-escama do que imaginavam, a maioria com as entranhas expostas, o peito aberto por um buraco sangrento.

Su Xiaobei viu o gigante à janela, imóvel, olhando para fora com melancolia. O rosto meio virado, a luz do sol faiscando em sua barba, que brilhava em meio à poeira colorida.

Aos seus pés, estava o corpo de um lobo negro. O animal jazia imóvel, sem sinais de ferimento, mas do braço do gigante escorria um fio de sangue.

Diante daquele braço sangrando, do cadáver do lobo, Su Xiaobei sentiu um pressentimento sombrio...

E, de fato, no instante seguinte, o gigante se virou.

O movimento era mecânico, exagerado, estranho.

Mas esse gesto fez o sangue de Su Xiaobei gelar.

O gigante segurava nos braços um boneco de pano branco.

Os traços grosseiros, costurados no rosto do boneco, voltavam-se para Su Xiaobei — sorriam, ou talvez exibissem uma terrível ameaça e advertência.