Capítulo 8: Levando a Bela para Casa

Perkebunan Semut Tingkat Dewa di Pedesaan Wǎn Qingchen 2562kata 2026-03-15 14:44:55

Lin Chong mostrou-se bastante satisfeito com a resposta de Zhao Lao San e ordenou aos malandros que ainda não haviam sido espancados pelos demais que levassem os dois embora.

— Você me ajudou outra vez, diga, como devo agradecer-lhe? — murmurou Xia Liuli, entrelaçando o braço no de Lin Chong com um leve tom de manha, talvez sem sequer perceber o gesto.

— Não precisa de palavras de gratidão. Que tal, quando inaugurar o restaurante, convidar-me para um bom jantar? — sugeriu ele.

— Isso não será problema. Mas, se não conseguir reunir frutas e vegetais de qualidade, nem sei se conseguirei abrir de fato.

Lin Chong, condoído ao ver a expressão contrariada de Xia Liuli, ponderou sobre o real motivo de sua vinda e disse:

— Em minha casa também há algumas frutas. Que tal ir comigo até lá, provar o sabor? Se lhe agradar, pode usá-las em seu banquete de inauguração.

— Sim, vamos logo então! — exclamou ela, já se adiantando na direção da casa de Lin Chong.

— Vamos, vamos — respondeu ele, levando a mão à testa, um tanto resignado. Pelo visto, hoje não conseguiria aproveitar direito a feira. Mas haveria muitas outras oportunidades.

Caminhavam juntos pela estrada, atraindo olhares curiosos dos transeuntes. Não fosse pela beleza estonteante de Xia Liuli, provavelmente ninguém teria reparado, como de costume, em Lin Chong sozinho na feira.

— Vejam, não é o filho mais velho dos Lin? Ouvi dizer que foi estudar numa universidade famosa. Quando terá voltado? — cochichavam.

— E aquela beldade ao lado dele? Será a namorada? Que sorte a dele!

— Que nada, aquela não é a dona do novo restaurante ecológico? A moça bonita do nosso vilarejo?

— Olhando bem, acho que é mesmo…

Comentários desse tipo se repetiam a cada passo, mas Lin Chong, homem que era, não se incomodava. Já Xia Liuli, ao ouvir tais murmúrios e recordar-se de Lin Chong a amparando nos braços há pouco, corava cada vez mais, lançando-lhe olhares furtivos, até que, distraída, esbarrou nele.

— Ai… Por que parou de repente, sem avisar? — queixou-se ela, massageando a testa com um misto de doçura e censura.

Lin Chong permanecia imóvel, atento. — Ouve algum som? Um gemido baixinho, como o de um filhote recém-nascido…

— Não ouvi nada. E, convenhamos, num lugar destes, no meio do mato, como haveria filhotes? — disse Xia Liuli, um tanto aborrecida com a atenção de Lin Chong desviada dela.

— Espere aqui um momento — pediu ele. Após escutar com maior atenção, seguiu na direção de um matagal oculto por trás de algumas árvores frondosas. Não fosse pela transformação de seus sentidos após tomar a Pílula de Purificação, talvez jamais percebesse aquele som ténue.

Afastando a vegetação, deparou-se com dois filhotes de cão, recém-desmamados, deitados, doentes e enfraquecidos. Pareciam famintos há dias. Provavelmente a mãe saíra em busca de alimento e, ao encontrar algum perigo, jamais retornara — ocorrência comum no interior, onde cães são frequentemente caçados.

Sentindo a presença de Lin Chong, o instinto de sobrevivência fez com que os filhotes voltassem a ganir. Ele, enternecido, invocou da Vila Imortal um punhado de água da fonte espiritual, despejando-a diante deles.

Curiosamente, ao aspirarem o aroma da água, ambos os filhotes, antes tão debilitados, ergueram-se e lamberam avidamente a poça, não deixando uma gota sequer.

Cambaleando, aproximaram-se de Lin Chong, roçando-lhe as calças, olhos brilhando de expectativa, como se pedissem mais.

— Cuidado para não se empanturrar! Vocês estão sem comer há dois dias, não posso dar mais agora. Absorvam isso primeiro — brincou Lin Chong, recolhendo os dois filhotes nos braços e voltando para junto de Xia Liuli.

— Que fofura! Onde foi que os arranjou? — exclamou ela.

— Não os arranjei, apenas os encontrei no mato, famintos. Provavelmente perderam a mãe — explicou Lin Chong, um tanto constrangido.

Xia Liuli lançou-lhe um olhar avaliador. — Não imaginei que fosse tão compassivo.

— Se não fosse, não teria ajudado você tantas vezes — retrucou ele, bem-humorado. — Ali adiante já é minha casa. Venha, vou mostrar-lhe meus pêssegos.

— Que lugar encantador — elogiou Xia Liuli sinceramente. — Aposto que tudo o que aqui se planta tem um sabor especial.

De fato, a localização do vilarejo Niu era privilegiada: cercado por montanhas em três lados, com terras planas e uma corrente de rio contornando o outro, garantia fartura e tranquilidade. O único senão era o acesso difícil — dois longos horas separavam o vilarejo da cidade.

A casa de Lin Chong situava-se no centro do povoado. Fora construída nos anos 80 ou 90 por seu avô, Lin Zhongxiu, para os filhos, sendo a primeira residência de tijolos e telhas do vilarejo: três salas principais, dois dormitórios, um galpão de lenha e cozinha. No interior, ainda se preferia cozinhar à lenha.

À direita da casa, havia um pequeno lago, escavado a mando do avô, que sonhava criar plantas medicinais aquáticas. Depois, o lago foi povoado com peixes e camarões, que vez ou outra serviam de iguaria para a família.

Ao redor da casa, cresciam inúmeras frutíferas. Segundo a avó, todas as mudas haviam sido trazidas de longe pelo avô: ameixa, pera, pêssego, tâmara, banana, laranja, nêspera, cereja… Lin Chong jamais vira tanta variedade em qualquer outra casa do vilarejo.

Enquanto levava os filhotes e Xia Liuli, avistou de longe os pais à porta, certamente avisados por conhecidos que os viram no caminho — quem sabe que histórias lhes teriam contado.

Ao entrar, Lin Chong se adiantou:

— Mamãe, esta é a dona do restaurante ecológico do vilarejo, Xia Liuli. Receba-a, por favor. Vou ao pomar colher uns pêssegos para ela provar.

Assim, evitando que a mãe, Wen Hui, se lançasse em perguntas indiscretas, deixou-a a sós com Xia Liuli e partiu apressado, colocando também os filhotes no chão, que logo começaram a explorar, rodopiando ao redor de seus pés como pequenas bolas de pelo, sem qualquer sinal de estranhamento ao novo lar.

— Fiquem quietos atrás de mim! Se continuarem travessos, vou trancá-los e deixá-los passar fome de novo! — ralhou Lin Chong. Imediatamente, os filhotes aquietaram-se, emitindo suaves ganidos, seguindo-o obedientes.

Já conhecia o sabor do pêssego; decidiu experimentar as tâmaras. Regadas pela fonte espiritual da Vila Imortal, as tâmaras verdes cresceram quase do tamanho de pequenas peras, maduras, suculentas, de dar água na boca. Colheu duas, mordeu uma: o sumo doce escorria, enchendo-lhe a boca. Assim como os pêssegos, a polpa das tâmaras era impregnada de energia espiritual.

— Quem diria que um frasco da fonte teria efeito tão notável! Da próxima vez, devo diluir em água para não chamar atenção. Se essas frutas, repletas de energia, caírem nas mãos de alguém astuto, problemas não faltarão — ponderou Lin Chong. Não que temesse dificuldades, mas neste mundo não faltam pessoas extraordinárias. Antes de possuir força suficiente, ostentar demais pode ser um erro fatal.

— Au, au! — Os filhotes, vendo Lin Chong comer, mordiscaram-lhe a barra da calça, latindo baixinho, pedindo um pedaço.

— Dois gulosos — riu Lin Chong, partindo um pêssego ao meio e atirando-lhes as metades.