Capítulo 4: Salvando a Bela
Ao descer do trem, Lin Chong subiu diretamente no ônibus que levava de volta à aldeia. Nos últimos anos, graças ao vigoroso desenvolvimento promovido pelo Estado, até mesmo o campo passou a contar com linhas de ônibus, embora a frequência ainda fosse baixa, com apenas uma partida a cada hora, em média.
“Sim, talvez porque alguns anos atrás o distrito tenha decidido transformar nossa aldeia numa zona turística, acabaram reformando as estradas e trocaram os ônibus. Agora, viajar está bem mais confortável.” Recostando-se comodamente na poltrona, Lin Chong fechou os olhos para descansar, quando de repente sentiu um leve tremor ao seu lado. Abriu os olhos e percebeu que uma belíssima mulher se sentara ao seu lado.
Pela aparência, deveria ter cerca de vinte e seis ou vinte e sete anos, vestia-se com maturidade e seu corpo todo exalava um fascínio inexplicável. Contudo, Lin Chong, nos dias atuais, já não se interessava por tais coisas; lançou-lhe apenas um olhar superficial antes de voltar o rosto para a janela.
“Moça, está sozinha? Precisa que o irmão aqui lhe faça companhia?” Assediar uma mulher à luz do dia, se fosse nos tempos antigos, alguém já teria saltado em seu auxílio, ávido por desempenhar o papel de herói. Porém, na sociedade moderna, onde os corações se tornaram frios e indiferentes, ninguém ousava se envolver.
Sacudindo a cabeça, Lin Chong decidiu não se meter. Afinal, estavam em um ônibus público, sob vigilância das câmeras. Imaginava que o sujeito não se atreveria a ir longe demais — no máximo, algumas provocações verbais.
“Estou falando com você, garoto! Levante-se logo e me deixe sentar com essa bela moça para conversarmos um pouco sobre a vida!”
“Pare de fingir que está dormindo! Levanta e cede o lugar para o seu avô aqui!”
A balbúrdia irritava. Lin Chong resolveu descobrir quem era tão insolente, abriu os olhos e viu um brutamontes de rosto rude parado no corredor ao seu lado, gritando: “Se acordou, então trate de sair daqui e me deixe sentar com a bela!”
Lin Chong olhou para o homem à sua frente. O rosto lhe era vagamente familiar — parecia ser alguém da aldeia. Se não estava enganado, tratava-se de Zhao Qingtian, da família Zhao, conhecido como Zhao Lao San por ser o terceiro irmão. Vivia perambulando, sem nada fazer, já passara dos trinta e continuava solteiro.
Lin Chong perguntou, incerto:
“Zhao Lao San, está falando comigo?”
“Vejo que conhece o grande nome de Zhao Lao San, isso é ótimo. Agora, ceda logo o lugar, garoto. Não me faça perder a paciência, ou você vai se arrepender!” Ao dizer isso, levantou os punhos gordos e os balançou ameaçadoramente diante de Lin Chong.
Lin Chong retrucou sem cerimônia:
“Zhao Lao San, ouvi dizer que você já vive de vadiagem na aldeia, furtando galinhas e cachorros, e agora ousa assediar mulheres honestas à luz do dia? Que coragem.”
“Seu pirralho, não sabe com quem está lidando!” Zhao Lao San, furioso, ergueu o punho e golpeou Lin Chong.
“Ah!” A bela ao lado de Lin Chong soltou um grito de susto, fechando os olhos por reflexo. “Ué, por que ficou tudo em silêncio?” Lentamente, reabriu os olhos e viu um braço forte estendido à sua frente, segurando firmemente o punho de Zhao Lao San, impedindo o golpe.
Zhao Lao San cerrava os dentes, o rosto coberto de suor frio, fitando Lin Chong com terror enquanto tentava, em vão, recuperar o próprio punho. Maldição, quem era afinal aquele sujeito?
Lin Chong, decidido a dar-lhe uma lição, apertou ainda mais o punho de Zhao Lao San.
“Ah... dói, dói, solta, solta, eu me rendo!” Zhao Lao San tentava em vão libertar-se, o suor escorrendo-lhe abundantemente.
Lin Chong torceu os lábios e, com um empurrão, arremessou Zhao Lao San ao corredor. O sujeito só conseguiu levantar-se após um bom tempo.
“Seu moleque, não vai ficar assim! O terceiro avô aqui não esquecerá disso, ainda vou te pegar!”
Enquanto tropeçava para fora do ônibus, Zhao Lao San ainda lançava ameaças a Lin Chong.
“Hum, obrigada,” murmurou a bela sentada ao lado de Lin Chong.
“Não foi nada. Na verdade, nem foi por você,” replicou Lin Chong, indiferente.
A moça ficou sem palavras. “Chamo-me Xia Liuli, e você?”
“Lin Chong. Lin com dois ‘l’ de madeira, Chong de impulsivo.” Lin Chong ergueu os olhos para ela, detendo-se por um breve instante antes de voltar o olhar para fora.
Ao perceber que Lin Chong novamente a fitava, Xia Liuli sentiu-se levemente animada, mas logo se enfureceu ao notar que o olhar dele repousara sobre si por um segundo e logo retornara à paisagem da janela. Seria possível que, mesmo sendo uma beldade, não era mais atraente aos olhos dele do que as flores e plantas do lado de fora?
A atitude de Lin Chong fez Xia Liuli sentir-se fracassada. Em sua família, sempre fora considerada uma das mulheres mais belas; desde o tempo de escola, os pretendentes formavam quase um batalhão. Todos os homens que a olhavam, faziam-no com intenso desejo de posse. Por que, então, Lin Chong parecia imune a seus encantos? Acaso não se interessava por mulheres?
“Hmph…” resmungou Xia Liuli para si mesma. “Mas esse rapaz, embora pareça magro, conseguiu resistir ao punho daquele brutamontes.”
“Lin Chong, você também vai para a cidade de Tongren?”
“Não, minha casa fica antes da cidade.”
“Então, você deve ser da vila Xinhú.”
“Sim, sou de Niutou, Vila Xinhú.”
“Sério? Ouvi dizer que Niutou é um lugar excelente: terras planas, grande variedade de espécies. Estava mesmo pensando em ir lá em breve, ver se encontro boas frutas e hortaliças para comprar!”
“Compra?” Lin Chong voltou-se para Xia Liuli, o olhar agora interessado.
“Sim. Tenho um pequeno restaurante ecológico na cidade de Tongren, especializado em pratos orgânicos e sustentáveis. Por isso, costumo visitar os vilarejos para conhecer os melhores produtos e, quem sabe, firmar parcerias duradouras.”
“Este é meu cartão. Se você tiver algo de qualidade e sem mercado, pode me procurar.”
Lin Chong pegou o cartão que Xia Liuli lhe entregou, onde se lia: Restaurante Ecológico Camponês, Responsável: Xia Liuli, Tel: ...
Guardou o cartão no bolso, respondendo com indiferença:
“Vou dar uma olhada quando voltar. Já faz mais de dois anos que não retorno, nem sei como está tudo por lá.”
Desde que começara o estágio no último ano da faculdade, Lin Chong não voltara para casa. Por um lado, o trabalho era exaustivo; por outro, queria aproveitar o tempo livre para acompanhar Su Yajing. Mas agora, tudo isso já não fazia sentido.
Xia Liuli percebeu aquela aura de desalento que pairava sobre Lin Chong, imaginando que o rapaz talvez tivesse sofrido algum revés, e preferiu não insistir na conversa.
Ao descer do ônibus, Lin Chong ainda chamou uma moto-táxi, carregando os muitos volumes de bagagem até a aldeia.
“Pai, mãe, voltei!”
Antes mesmo de cruzar o portão de casa, Lin Chong já gritava com alegria.
“Ah, Chong’er voltou! Venha, entre, você deve estar cansado. Sente-se um pouco, descanse. Vai ficar quantos dias desta vez? Já se passaram dois anos desde o estágio e você nunca veio visitar. Dizem que você arranjou uma namorada, não foi? Por que ela não veio com você?”
Ao ouvir novamente as lamúrias maternas, Lin Chong quase não conteve as lágrimas. Não podia chorar, não podia preocupar os pais.
“Terminei com minha namorada.”