Capítulo Seis: O Segredo de Dois

Catatan Seratus Makhluk Aneh Nada Arwah yang Belum Usai 3786kata 2026-03-13 14:35:10

Se não fosse por causa do Registro das Cem Criaturas, Yun An realmente não daria atenção a Chen Xin.

Ele era apenas um jovem taoísta, desejando apenas socorrer o povo, subjugar demônios e espíritos malignos, e, após a morte, alcançar a imortalidade. Embora sua idade o tornasse vulnerável às tentações mundanas, ele sabia muito bem que ceder a isso estava errado. Jamais cogitara uma vida mundana; seu único anseio era derrotar monstros e salvar pessoas.

Do contrário...

Ter uma bela mulher a insistir em sua companhia até que não seria de todo má...

Na caverna.

Yun An repousava, Xiao Ya dormia encolhida a um canto, enquanto Chen Xin, esta, havia sumido, sabe-se lá para onde.

Após o desenlace dos acontecimentos em Dayu, Yun An reiniciou sua busca minuciosa por demônios. Contudo, uma semana se passou e nada encontrou. Embora ao seu lado houvesse dois seres demoníacos...

Mas...

Xiao Ya era, de fato, uma boa criatura; quanto a Chen Xin, talvez ele nem conseguisse vencê-la.

Aquela moça chamada Chen Xin exalava um aura caótica ao extremo, mesclando energia demoníaca a um traço de energia celestial. Mesmo que Yun An tivesse forças para enfrentá-la, não ousaria agir de forma leviana.

Passado algum tempo, Xiao Ya se levantou sonolenta, bocejando:

— Dormi tão bem...

Yun An, de olhos fechados, disse:

— Se estiver com fome, vá colher frutas. Ao sul há um rio, se tiver sede, beba água dali.

Xiao Ya apalpou a barriga, murmurando:

— Estou mesmo com fome... Então vou buscar algumas frutas!

...

Sobre a copa das árvores.

Ninguém sabia de onde viera Chen Xin; ela se sentou sobre um galho robusto, carregando um saco de estopa às costas, olhou ao redor com cautela, então espreguiçou-se languidamente.

No mesmo instante, um par de asas negras se abriu atrás de si.

Chen Xin, sentindo-se bastante à vontade, exclamou:

— Quase explodi... Esticar as asas é realmente um alívio...

— Ah! Ah! Ah! — gritava Xiao Ya, que colhia frutas ao pé da árvore. Ao ver Chen Xin, largou as frutas e saiu correndo, apavorada.

Chen Xin ficou um instante perplexa, então lançou-se num mergulho e imobilizou Xiao Ya no chão.

— N-não... Por favor, não me mate... — suplicou Xiao Ya, tomada de medo.

Chen Xin arrancou duas penas de suas asas, o olhar cortante:

— Nunca quis te poupar mesmo, finalmente me deste um bom pretexto.

As penas, transformadas em lâminas afiadas, brilhavam com uma malícia cruel no sorriso de Chen Xin.

Xiao Ya desatou a chorar:

— Senhora, por favor, não me mate! Eu sou uma boa criatura, jamais causei mal a ninguém!

Chen Xin bufou:

— Causar mal é justamente o que se espera de um demônio, não? Fique tranquila, sou bastante habilidosa nisso. Morta, Yun An será só meu.

— Então... É por causa daquele jovem taoísta?

Chen Xin hesitou por um instante, levantou-se, contrariada:

— Mestre...

Luo Xiaotian, sentada num galho acima, suspirou resignada:

— A questão de Jiang Peili ainda não está resolvida, e você já está arrumando confusão. Quer mesmo me matar de desgosto?

Chen Xin resmungou:

— Poupe-me de suas lições, chamar-lhe de mestre já é mais do que merece.

Luo Xiaotian levou a mão à testa:

— Admito que não sou páreo para ti, mas, já que sou tua mestra, não deveria me consultar antes de agir? És peça fundamental para destruir Jiang Peili. Fugindo assim, como espera que eu proceda?

Chen Xin inclinou a cabeça:

— Se a encontrar, eu mesma a mato... Não há necessidade de armadilhas.

Luo Xiaotian, impaciente:

— E foi assim que quase morreste? Se não fosse pelo teu poder de renascimento, Yun An sequer teria tido chance de te salvar.

E, cada vez mais aborrecida, prosseguiu:

— Aquele Yun An te deu uns pãezinhos, e já te apaixonaste perdidamente por ele, enquanto eu, que te tirei do ovo, jamais recebi tal afeto!

Chen Xin gritou:

— E ainda tens coragem de falar! Sentaste sobre mim um mês inteiro, e nunca te cobrei por isso! Aliás, sabias muito bem que aquela casca era apenas um selo, bastava romper, mas insististe em chocar!

— Ainda assim, fui eu quem te libertou do selo. Se é para gostar, deverias gostar de mim!

— Eu só gosto do Yun An!

Xiao Ya, assistindo à discussão, murmurou timidamente:

— Bem... Se não precisam mais de mim, vou indo...

Chen Xin, sem se virar, advertiu:

— Não conte nada ao Yun An! Um dia, ainda te mato!

E voltou a discutir com Luo Xiaotian.

Ao meio-dia.

Carregando o saco de estopa, Chen Xin retornou enfim à caverna. Ao ver Xiao Ya, agarrou-se a ela como a um salva-vidas. Largou o saco, então apertou o pescoço de Xiao Ya, rouca:

— Água!

Xiao Ya, apressada, usou sua energia demoníaca para criar um duplo, entregando-lhe água às pressas.

Parece que a discussão lhe rouquejara a voz.

Xiao Ya sorriu gentilmente:

— Devagar...

Yun An já havia despertado.

Chutou o saco de estopa, perguntando:

— O que há aqui dentro? Parece bem duro.

Chen Xin, rouca, respondeu:

— Joias, ouro e prata. Não posso deixar meu Yun An se alimentar só de frutas.

Yun An, desconfiado:

— Roubou? Surrupiou?

Chen Xin bufou:

— Peguei de um tal de Luo Xiaotian.

Capaz de voar à vontade, Chen Xin detinha em tal arte uma vantagem inata. Embora raramente usasse as asas, não significava que voasse devagar. Daqui ao clã Chen Ying, eram cerca de duzentos li; num turno de manhã, ela foi e voltou.

O objetivo, claro...

Naturalmente, eram os tesouros de Luo Xiaotian.

Chen Xin não entendia por que um homem colecionaria joias e adereços femininos, mas sabia que tais objetos valiam muito dinheiro.

Yun An, que pensara em devolver, ao saber que eram de Luo Xiaotian, atou o saco às costas:

— Vamos, procurar uma cidade para trocar por dinheiro.

Luo Xiaotian...

Ele mesmo, não era necessário ter cerimônia.

Além do mais, Yun An, sem renda há muito, vivia dias difíceis. O inverno se aproximava, e, embora o calor ainda persistisse, era certo que logo viria o frio.

Chen Xin fitou Yun An afastando-se, então puxou Xiao Ya pelo braço:

— Aquilo será nosso segredo, não diga nada!

— Sim...

Embora Xiao Ya não soubesse o que exatamente era Chen Xin, sabia que ela era, pelo menos, mil vezes mais poderosa que si própria.

Tamanha onda de energia demoníaca não era brincadeira.

No dia seguinte.

Finalmente encontraram uma pequena cidade.

Construída junto à montanha, o terreno elevava-se do entorno ao centro.

Trocaram os objetos por dinheiro, encontraram uma estalagem, e Yun An pôde, afinal, dormir até tarde.

Chen Xin e Xiao Ya dividiram um quarto; para Yun An, entre moças, mesmo que uma fosse humana e a outra demônio, não havia problema.

O que ele não compreendia era: de onde vinha a energia demoníaca de Chen Xin? Excetuando esse detalhe, em tudo ela parecia uma humana comum.

No quarto ao lado, Chen Xin andava de um lado para o outro, inquieta.

As feridas que sofrera estavam curadas, e não havia mais distrações a perturbá-la.

Assim...

Poderia, enfim, concentrar-se em transformar Yun An em sua posse exclusiva.

Daquele tipo inestimável.

— Pequena flor-demoníaca!

— Sim! — respondeu Xiao Ya, solícita.

— Durma direito. Tenho coisas a fazer!

— Sim!

...

Depois de um tempo.

Yun An, adormecido, sentiu cócegas no nariz, como se alguém soprasse em seu rosto. Uma sensação incômoda para quem dorme profundamente.

Irritado, Yun An abriu os olhos — e, tomado de pânico, permaneceu imóvel.

Os olhos cor de sangue de Chen Xin brilhavam, muito próximos dos seus.

— Yun, An, An... — ofegou Chen Xin.

— Fantasma! — gritou Yun An, e, usando um feitiço, teleportou-se para junto da porta. Uniu as mãos, separou-as, e uma espada de luz surgiu em sua mão.

Sem se importar com quem fosse Chen Xin, atacou-a de imediato.

Chen Xin, sem pressa, sentou-se, ergueu a mão direita, e a espada que empunhava voou, chocando-se com a de Yun An.

Yun An sacou de uma tira de papel talismânico e, num salto, colou-a na testa de Chen Xin. Ambos, pela força do impacto, tombaram sobre a cama.

Após tamanha algazarra, Yun An acalmou-se e, segurando as mãos inquietas de Chen Xin, irritou-se:

— Chen Xin, por que não está dormindo a esta hora da noite?

Chen Xin afastou o talismã dos olhos e murmurou:

— Você disse que, se eu te salvasse, faria qualquer coisa por mim.

Yun An hesitou e respondeu:

— Sim, foi isso mesmo. O que quer? Que eu fique acordado...

— É isso mesmo — disse Chen Xin, olhando-o com devoção. — Só não faça barulho, não quero que aquela flor-demoníaca ouça.

Yun An, surpreso, perguntou, confuso:

— Do que está falando?

Chen Xin, com seriedade:

— Ora, do momento nupcial!

Yun An, enfim, entendeu:

— Ah... Mas o que se passa na sua cabeça!

Percebendo a gravidade da situação, Yun An se ergueu, escondendo-se atrás da porta:

— Qualquer coisa, menos isso!

— Estou preparada! — declarou Chen Xin, os olhos faiscando de determinação.

Yun An, cada vez mais aflito:

— Não é essa a questão! Não, isso é um grande problema! Não pode, de jeito nenhum!

No quarto ao lado.

Apesar de Xiao Ya não ser dotada de grande inteligência, crescera no vilarejo e vira casamentos de longe. Nunca participara de núpcias, mas conseguia deduzir alguma coisa.

Suspeitava que Chen Xin estivesse indo perturbar Yun An com assuntos nupciais, mas jamais imaginaria tamanho escarcéu...

Noite...

Uma noite tão negra que parecia destilar tinta.

No topo da torre do relógio da cidade, uma mulher de vestes púrpuras examinava um mapa, murmurando:

— Sim... o local é este...

— Fogo celestial em ascensão, Huo Dou ressurge, a chama arde, a besta feroz desperta! Renasce, Huo Dou!

A pequena cidade montanhosa começou a ferver como água em ebulição.

As ruas tingiram-se de linhas vermelhas, vapores subiam incessantemente.

Rugidos trovejantes ecoaram pela cidade.

Yun An voou às pressas, para entender o que acontecia.

Em meio ao abalo sísmico, apenas uma mulher pairava, cem metros adiante, observando em silêncio.

Yun An aproximou-se e perguntou:

— Companheira taoísta, o que está acontecendo aqui?

A mulher se surpreendeu, então sorriu:

— Companheira? Jovem taoísta, não sou tua companheira de senda.

Yun An coçou a cabeça:

— Então é monja? Não importa, todos buscamos salvar o povo.

— Monja é tua mãe! — exclamou a mulher, furiosa, desembainhando a arma e investindo contra Yun An.

Yun An desviou às pressas, franzindo o cenho:

— Então, é você quem provocou tudo isso? Esta energia demoníaca não pertence a um ser benigno.

— É minha — declarou Chen Xin, dando um tapinha no ombro de Yun An. — Deixe essa mulher comigo, vá salvar as pessoas. Afinal, não tenho qualquer interesse em salvar humanos.