Capítulo Seis: De Volta ao Lar
Zhang Aiguo arregalou os olhos.
— Xiao Yuan, este velho aqui, embora já esteja avançado em idade, não é nenhum demente senil.
— E há ainda coisas que vocês desconhecem, achando que podem enganar uma criança?
Yuan Jingsong já sabia que o velho Zhang não acreditaria, mas, de fato, uma vez que perceberam a importância do assistente inteligente, como não investigariam quem era seu desenvolvedor? Um talento tão avançado, superando o mundo todo e surgido entre civis: seria impossível não chamar atenção.
Mas, por mais a fundo que investigassem, só conseguiram encontrar informações remanescentes na Aliyun, todas elas, porém, fictícias.
— Velho Zhang, uma equipe capaz de criar um assistente inteligente de tal calibre, se quisesse ocultar-se na rede, acha mesmo que seria fácil encontrá-los?
Só então, ouvindo as palavras de Xiao Yuan, Zhang Aiguo compreendeu a razão daquilo tudo.
O sorriso antes escancarado desapareceu, e Zhang Aiguo, com o rosto agora severo, empurrou o livro “Princípios Fundamentais da Computação” nas mãos de Yuan Jingsong.
— Estude bem. Em alguns dias, vou lhe fazer uma prova surpresa.
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“Tu... tu... tu...”
“Tu... tu... tu...”
— Mano, acorda logo! Se não levantar agora, vai perder o trem-bala!
Li Zhou dormia profundamente quando o barulho do celular o despertou de súbito.
Meio grogue, apanhou o telefone na cabeceira e, ora veja! Naiyi estava com um pequeno alto-falante de papel dobrado, transmitindo ruídos estridentes em sua direção.
— Chega, Naiyi. Se continuar, vou morrer com esse barulho.
Quando o ruído cessou, as pálpebras de Li Zhou vacilaram involuntariamente, prestes a fechar-se novamente.
— Mano, já são duas da tarde. Naiyi já calculou: daqui até a estação do trem-bala leva meia hora.
Li Zhou aspirou profundamente o ar fresco, forçando o cérebro a despertar.
Escovar os dentes, lavar o rosto: dez minutos bastaram.
Felizmente, já havia feito as malas antes. Quanto ao edredom na cama, companheiro de quatro anos, a manta estava tão enegrecida que, contra a luz, viam-se grandes buracos à vista desarmada. Se levasse aquilo para casa, a mãe certamente zombaria.
Arrastando sua mala de tamanho grande, Li Zhou chegou à porta do dormitório. Com um suspiro de despedida, fechou a porta do 609.
Que os novos calouros possam cuidar bem do 609.
O prédio de dormitórios da Academia CHZU tinha apenas seis andares; portanto, nada de elevador, só as próprias pernas para subir e descer.
A mala, embora aparentemente leve, parecia pesar toneladas. Quando Li Zhou finalmente a trouxe até o térreo, já estava banhado em suor, ofegante.
Após um breve descanso, empurrou a mala e foi até a portaria devolver a chave à zeladora.
Ao vê-la, sorriu e cumprimentou a senhora sentada à mesa.
— Tia, vim devolver a chave.
A zeladora, sorrindo, gracejou:
— Pronto para ir embora, rapaz?
Tomando a chave das mãos de Li Zhou, ela lhe passou o livro de registro.
Aquele registro, Li Zhou conhecia bem. Todo fim de semestre, a escola exigia que os alunos o preenchessem. Mas desta vez, era o registro de saída dos formandos.
Logo encontrou o 12#609; como esperado, os garranchos dos outros três colegas de quarto já estavam ali.
Pegando a caneta preta sobre a mesa, Li Zhou assinou com elegância — Li Zhou.
Ao ver sua bela assinatura, não pôde deixar de pensar: se não fosse essa caligrafia de galinha, seria perfeito.
— Tia, estou indo.
— Vai mesmo? Volte sempre à escola para visitar.
— Voltarei, com certeza.
Despediu-se, pôs os fones de ouvido e iniciou sozinho o caminho de volta para casa.
Ao chegar à estação do trem-bala, faltavam apenas dez minutos para a partida. Li Zhou passou o cartão de identidade e entrou na plataforma.
Como era de se esperar, nunca se foge à Lei de Murphy!
Lei de Murphy: na vida, sempre há coisas estranhas — quanto mais você teme que aconteçam, mais provável é que ocorram. Ou seja: se algo pode dar errado, mesmo que a chance seja mínima, vai acontecer. Eis o acaso do inevitável.
Li Zhou, inúmeras vezes, sonhara que ao seu lado sentaria uma bela moça, mas, invariavelmente, era um tio de meia-idade ou algum universitário tão comum quanto ele.
Desta vez, para não variar, era uma senhora de sessenta anos, acompanhada de um neto, provavelmente.
A terra natal de Li Zhou, a cidade de Luan, não ficava longe da faculdade. De trem-bala, menos de quarenta minutos.
Mas, se pensava que já estava perto de casa, enganava-se redondamente.
Sua verdadeira casa era no vilarejo de Nong, nas profundezas das montanhas Dabie. Da cidade, era preciso pegar primeiro um ônibus de uma hora até o condado, depois mais outro ônibus rural até a vila, mais de uma hora de viagem. Só então, chegava-se em casa.
Arrastando a mala de um lado para outro, Li Zhou só chegou ao lar às seis e meia da noite. Por sorte, o céu ainda não escurecera.
Antes mesmo de entrar, Li Zhou já gritava de longe:
— Mãe, cheguei!
Logo, uma mulher de meia-idade saiu de uma casa de dois andares e meio.
— Já voltou? Ainda agora dizia ao seu pai: por que o Zhou ainda não chegou?
“Au! Au! Au!”
Subindo a ladeira de cimento da casa, Li Zhou viu um cão preto sair saltando do mato.
— Dahei! — exclamou, acariciando a cabeça do cachorro, cuja cauda agitava-se como um ventilador de tanto contentamento.
Enquanto ele se entretinha com o cão, a mãe já pegava sua mala.
— Filho, o que você trouxe aí? Como está pesado!
Li Zhou deu de ombros.
Também não sei. Fui colocando tudo que achei útil.
— Vai lavar as mãos e comer. Sabendo que voltaria, já preparei a comida.
— E o pai?
— Está lá, vendo televisão, como sempre.
Li Zhou, vivendo uma segunda vida, era desleixado, mas graças a muitos de seus conselhos, a família prosperava na região. O maior supermercado da cidade era deles.
Não era por falta de ambição: a mãe, analfabeta, mal sabia assinar o nome. O pai, um pouco mais instruído, só concluiu o ensino fundamental.
Mas não subestime o supermercado: todo ano, trazia boa renda à família. Dinheiro nunca faltou a Li Zhou; quanto às economias, ele próprio desconhecia o montante.
Durante o jantar, após uns goles de licor, o pai ficou mais falante.
— Xiao Zhou, já pensou no futuro? Não se preocupe, você tem talento, sua mãe e eu sempre soubemos disso. Nunca nos inquietamos com seu emprego. No pior dos casos, há o supermercado, não é?
Comendo um pedaço de carne de panela, Li Zhou respondeu:
— Pai, já decidi. Pretendo montar uma empresa de tecnologia aqui mesmo, e já tenho até o primeiro projeto em mente.
— Ótimo, ótimo! Sabia que meu filho tem ambição. Amanhã, sua mãe vai com você ao banco. Não se preocupe: um milhão nós temos.
Mais tarde, Li Zhou soube pela mãe que, por não ter encontrado emprego, muitos parentes haviam dito coisas ao pai, deixando-o indignado.