Capítulo 8: Os dois terão de compartilhar a mesma cama
— Então quer dizer que fui eu quem te chamou aqui?
— Uhum, não foi?
De repente, Di Yunshen ergueu-se de um salto e dirigiu-se à porta.
“Crác... crác.”
Por duas vezes, tentou abrir, mas a porta não cedeu.
Aspirando fundo, Di Yunshen bateu levemente, dizendo:
— Abram a porta.
Logo após, uma voz feminina soou do lado de fora:
— Senhor, esta é uma ordem da Senhora. Ela disse que o senhor deve aproveitar este tempo para cultivar sentimentos com a jovem senhora.
Houve uma breve pausa antes que continuasse:
— Senhor, o mordomo já recolheu-se. A Senhora consultou o mestre e disse que depois de amanhã é um dia auspicioso para o casamento.
Su Qingli, perplexa ao lado, perguntou:
— Quem é essa senhora?
— Minha mãe. E quem fala é Zhang Ma, a governanta da propriedade dela.
Su Qingli martelou a porta com força:
— Casamento? Assim, tão de repente?!
— Sim, a Senhora disse que está muitíssimo satisfeita com a nora que lhe dei.
— ...
— Senhor, descansem. O senhor e a jovem senhora precisam repousar.
Su Qingli ainda tentou protestar, mas os passos já se afastavam pelo corredor.
Pronto, agora não havia sombra de sono — estava completamente desperta.
Virando-se, Su Qingli fitou Di Yunshen de alto a baixo, detendo-se por fim nos músculos que delineavam seu corpo:
— Então... você não vai tentar nada, não é? Quer dizer, estarei segura esta noite?
Diante do seu longo silêncio, Su Qingli ergueu o olhar e percebeu, só então, o traço de desdém que lhe sombreava os olhos.
Di Yunshen tocou-lhe o canto dos lábios com a ponta dos dedos:
— Essa pergunta, não seria eu quem deveria fazer?
Tomada por um súbito constrangimento, Su Qingli engoliu em seco:
— E agora... como vamos dormir? Ou talvez...
— Você dorme na cama, eu fico no sofá.
— Ah...
— Pelo tom, está até um pouco desapontada. Se preferir, trocamos: você dorme no sofá.
— Ter uma cama e não dormir nela seria pura loucura.
— O que disse?
— Nada... nada não.
Di Yunshen virou-se, balançando a cabeça em resignação, mas não conseguiu ocultar o sorriso que lhe bailava nos lábios.
Su Qingli revirava-se na cama:
— Di Yunshen, sua cama é enorme! Caberiam quatro pessoas. Tem certeza que não quer subir?
Ele não se dignou a virar o rosto, respondendo de costas:
— Se isso chegasse aos ouvidos alheios, não seria bom para você.
— Como? Não vai chegar, ora. E mesmo que chegasse, quem acreditaria? Dormimos separados — impossível explicar.
Finalmente, Di Yunshen voltou-se para ela, olhando-a como se fitasse uma tola.
Pois é, entendeu num relance. Mesmo que soubessem que ela e Di Yunshen dormiram no mesmo quarto, quem acreditaria que, simplesmente, repousaram juntos? Para todos, Di Yunshen era inalcançável, envolto em um brilho dourado, e ela, apenas uma camponesa inculta.
— Verdade, ninguém acreditaria que dormiríamos juntos. Nossa diferença é tão grande, não sirvo nem para lhe engraxar os sapatos. No fundo, você está me desprezando. Tudo bem, vou dormir.
Su Qingli deitou-se obediente e, mal se passou um minuto, ouviu um ruído sutil, como asas batendo. Sua coberta foi erguida, abrindo-se uma fresta.
Logo, sentiu o colchão afundar ao seu lado.
A súbita proximidade de outro corpo deixou Su Qingli ainda mais tensa.
Mas Di Yunshen estava ainda mais! Estático, rígido como um tronco, não ousava mover-se.
Ninguém sabe quanto tempo passou, até que, de súbito, Di Yunshen sentiu-se envolto por braços alheios! Uma mão deslizava por suas linhas, buscando calor.
Isso mesmo, era a pequena travessa, Su Qingli.
Ela pensara que Di Yunshen já dormia! Por isso, atreveu-se a enlaçá-lo. Ah, aqueles músculos firmes! Esse peito sólido!
E o delicado perfume que ele exalava...
Su Qingli, mais uma vez, não pôde deixar de admirar o aroma masculino.
— Hum.
Ela, absorta em seus pensamentos, quase ignorou o pigarro de Di Yunshen.
— Hum-hum.
Desta vez, ouviu! Seu braço, abraçado a ele, estremeceu.
— Xiaoli, é assim que você define segurança?
— Bem... estamos casados. Mesmo que só de fachada, perante a lei é real. Então... não faz mal um carinho, não é?
Ora vejam, que audácia!
— Grande homem e tão mesquinho!
Como Di Yunshen permaneceu em silêncio, Su Qingli abriu um sorriso maroto, convencida de sua vitória.
Porém...
— Ah!
De súbito, ele puxou-lhe o braço, trazendo-a inteira para seu peito. Antes que pudesse reagir, o mundo virou, e ela se viu presa sob ele, deitada na cama.
Sob a luz tênue, os olhos de Di Yunshen pareciam ainda mais intensos, ocultando sentimentos indefiníveis, quase imperceptíveis.
Su Qingli sempre se achou de grande força de vontade, e detestava homens! Mas, diante daquele rosto, não sabia como afastá-lo.
— Se continuar, eu...
— Você o quê?
Su Qingli percebeu o movimento na garganta dele, como se se contivesse.
Estava prestes a afastá-lo e dormir, mas então...
Di Yunshen inclinou-se, pousou-lhe nos lábios um beijo quente e fugaz. Logo se afastou, deitando-se ao seu lado, apoiado no cotovelo, sorrindo-lhe de soslaio.
— Você... o que está fazendo? Como pode...
— Somos casados, um beijo não faz mal, certo, Li’er?
— Não, é que... soa estranho. A sensação também é esquisita. Que tal... tentar de novo?
Quase fez Di Yunshen perder o controle.
Pensando bem, fazia sentido: todos esses anos, Su Qingli estivera longe dos costumes mundanos. As únicas pessoas com quem convivera eram o velho mestre e, raramente, um irmão de aprendizado.
— Então, tentamos de novo? — Su Qingli insistiu.