Capítulo 7: Má sorte, amanhã vou pedir o divórcio
Yun Shasha não cessava de lançar olhares significativos para o pai, instigando-o a observar Su Qingli.
Di Yunshen percebeu antes de todos a intenção daquela dupla, lançou-lhes um olhar e disse, com voz fria:
— Tão tarde, vêm ao meu Yun Jinwan? Estou curioso para saber que assunto urgente os traz aqui.
— Diretor Di, sei que aprecia aquele terreno ao leste. Esforcei-me bastante e finalmente consegui para você. Aqui está o contrato de transferência.
Su Qingli não demonstrava qualquer interesse por aqueles dois; folheava tranquilamente seu mangá, até que um contrato foi lançado sobre seu livro.
Ergueu o olhar e deparou-se com o rosto absurdamente belo de Di Yunshen.
— Gosta de rosas?
Absorvida pela beleza dele, Su Qingli assentiu, sem compreender muito bem.
— No território de Dongling, ao leste, há novecentos acres de rosas. Se gosta, são seus.
— Yunshen, aquilo... aquilo era um presente da família Yun à família Di...
Ao ouvir isso, Di Yunshen voltou-se e fez um discreto sinal ao mordomo.
— Senhora, este é o presidente da Yun e a senhorita Yun, têm alguma ligação conosco, talvez no futuro haja mais contato.
Su Qingli não sentiu grande coisa, mas pai e filha exibiam expressões de incredulidade, o rosto tomado de espanto.
— Isso é... é...
Subitamente, Su Qingli fechou o livro e fitou Qiao Ke, serena:
— Da última vez que te vi, creio ter dito que vim conhecer Di Yunshen com vistas a um casamento arranjado. Agora, casei-me com ele. Você parece surpresa?
Surpresa! Naturalmente, surpresa!
— Não... não pode ser... impossível! Como poderia casar-se com Yunshen? Isso jamais poderia acontecer! — Qiao Ke balbuciava, incrédula, mas seus olhos vermelhos traíam o temor.
Su Qingli arrumou um tabuleiro de gomoku sobre a mesa, contemplou-o por um tempo e de repente exclamou:
— Caramba! Di Yunshen! Venha cá!
A súbita exclamação assustou a todos. Como Di Yunshen permaneceu imóvel, ela o puxou para perto:
— Olhe, o que é isso?
— O que é?
— Meu Deus! É uma armadilha mortal! Casar contigo, perigo! Perigo extremo! Não dá, melhor nos divorciarmos amanhã!
Surpreendentemente, Di Yunshen sorriu de leve.
Divórcio? Tarde demais.
Ao ver aquele sorriso, Su Qingli também deixou de sorrir, pois sabia que, se quisesse o divórcio... seria difícil, muito difícil!
— Por que sinto como se tivesse embarcado num navio de piratas?
— Hehehe... — Raramente, Di Yunshen riu, e riu alto!
— Não ria, contenha-se! Quando você ri, me dá arrepios!
O mordomo ao lado sorria cordialmente; se fosse outro, já estaria gargalhando. Mas, justamente, a senhora da casa exigia que o senhor reprimisse seu riso!
Quanto à dupla da família Yun, já estavam completamente entorpecidos. Vieram apenas para humilhar Su Qingli, mas acabaram por sair de mãos vazias, envergonhados.
Ao sair, Yun Shasha apertava os punhos, inconformada.
— Não deixarei que aquela mulher triunfe. Ah! Posso procurar a velha senhora Di! Ela sempre valoriza o status familiar, jamais permitiria que Su Qingli entrasse para a família! Pai, volte para casa; vou atrás da matriarca Di!
Mas, ironia do destino...
Su Qingli já conversava com a velha senhora Di! Sim, por vídeo!
— Esta... esta é a moça?
Di Yunshen assentiu:
— Sim. Esta manhã, pegamos a certidão de casamento.
— Ótimo! Muito bom! A avó precisa abençoar vocês! Assim, mandarei preparar presentes esta noite, amanhã enviarei a vocês! Qingli, daqui em diante, esta é sua casa; qualquer coisa, a família Di estará ao seu lado!
O entusiasmo excessivo da velha senhora deixou Su Qingli perplexa.
Ela sentia que havia segredos nas palavras daqueles dois, mas não conseguia decifrar.
Fez menção de consultar o destino, mas sabia que nada descobriria, e ainda lhe doía a cabeça, então desistiu.
Ao encerrar o vídeo, Su Qingli, com as mãos na cintura, olhou para ele:
— O que estava fazendo?
— Faça um cálculo.
— ...
— Deixe-me adivinhar, não estava ligando para sua mãe para dizer que nos casamos, estava?
— Vejo que Xiao Li é mesmo perspicaz.
— ...
— Não é possível, Di Yunshen. Nosso casamento é de fachada, só para te animar. Vai tornar público para todos?
Di Yunshen falou suavemente:
— O propósito de animar é justamente criar agitação. Se não for público, como romper o destino?
E então, Su Qingli não soube o que dizer, pois, surpreendentemente, achava que Di Yunshen fazia sentido!
— Que cor de vestido de noiva prefere?
— ...
Su Qingli ignorou a pergunta, virou-se e foi ao quarto. Quando estava prestes a adormecer, alguém bateu à porta.
— Senhora, o senhor pede que vá ao quarto dele.
— Amanhã...
— Senhora, é urgente.
Assim, Su Qingli esforçou-se para levantar da cama e, meio entorpecida, dirigiu-se ao quarto de Di Yunshen. Ao abrir a porta, oh, ele não acendeu a luz.
Sem saber onde ficava o interruptor, avançou às cegas, chamando em voz baixa:
— Di Yunshen, Di Yunshen... ai!
Ela foi direto ao peito de Di Yunshen, tateou por um tempo, e isso bastou para despertar.
— Como é a sensação?
Su Qingli assentiu repetidas vezes:
— Boa, boa! Muito boa!
Percebendo a situação, Su Qingli tossiu duas vezes, endireitou-se, esperando que ele acendesse a luz.
— Fale.
Ele a chamara, mas queria que ela falasse primeiro? Que absurdo!
Ergueu o rosto:
— Di Yunshen, você...
A frase ficou pela metade.
Ela voltou a se perder na beleza de Di Yunshen, pois ele estava sem camisa, sentado à beira da cama, a cintura esguia, e irresistível.
De súbito, mudou de tom:
— Para que me chamou...?
— Hm? — Di Yunshen também parecia confuso.