Capítulo Primeiro: Nanfei Entra na Capital

Merebut Tahta dan Negeri Kongzi Kembali 2562kata 2026-03-11 14:36:03

A esplendorosa capital do vasto Império Tianji.
A cidade inteira pulsava em alvoroço: os gritos dos vendedores ambulantes, as negociações acaloradas nas lojas, o ranger incessante das rodas das carruagens, tudo se entrelaçava numa sinfonia ininterrupta.
Adentrando os portões da cidade, logo se avistava o mais nobre reduto da aristocracia da capital — o Pavilhão Yan Yu.
A arquitetura do Yan Yu Lou era singular: pilares de sândalo erguiam-se ao redor, as cores branco e vermelho entrelaçando-se num mistério sutil; a base, digna de príncipes e nobres, era esculpida no mais puro mármore, e orquídeas douradas floresciam voluptuosamente entre as pedras alvas, enquanto cortinas de seda carmesim ondulavam ao vento.
Nan Fei, diante daquela colossal estrutura de dez metros de altura, parecia diminuto; não fosse pela inabalável firmeza adquirida em vinte anos solitários no deserto, decerto já teria desmaiado de assombro, pois em sua mente ecoava apenas uma palavra: luxo.
Seus olhos, de canto aguçado como um dragão, a boca de ar que parecia pronta a engolir céus e terras, o olhar altivo e a postura imponente, ostentando o porte de um verdadeiro monarca!
Deu um passo à frente, subindo os degraus de pedra, e o aroma suave de sândalo envolveu-lhe os sentidos. Ao aproximar-se da entrada, a luz do sol filtrava-se delicadamente pelas janelas rendilhadas, salpicando o chão de pontos dourados. Observando com atenção, viu que, de ambos os lados do umbral largo de três zhangs, postavam-se duas jovens de beleza estonteante.
Vestiam-se de véus róseos, deixando entrever a pele alva, o que fez Nan Fei sentir-se quase incapaz de desviar o olhar.
Cumprimentou-as com um leve aceno de cabeça e, apresentando o convite que trazia, adentrou sem obstáculos aquele que era tido como o mais sumptuoso “salão de entretenimento” da capital.
À esquerda, logo após passar pela porta, deparou-se com quatro grandes caracteres inscritas no topo: “Cang Long Pan Feng”. A caligrafia sublime impressionava, como se um dragão colossal estivesse enroscado numa fênix — clara alusão ao simbolismo de que ali, a fênix era a senhora, o dragão seu servo.
“Interessante...”, murmurou Nan Fei, sorrindo para si mesmo enquanto prosseguia.
Não havia percorrido nem cinquenta metros quando se deparou, no centro do pavilhão, com uma escadaria de madeira de cipreste, luxuosa, conduzindo diretamente ao andar superior.
Subiu-a sem hesitar, atraindo olhares curiosos dos poucos ilustres hóspedes que ali se encontravam.
“Ei, veja só, que sujeito estranho! Por que está subindo as escadas?”
“Pois é! Também achei curioso... Será que ele enlouqueceu? Subir as escadas, veja só~”
Nan Fei subia vagarosamente, sem pressa, indiferente aos murmúrios alheios.
“Tudo isso por causa da ordem deixada por Fang Qinghua... Eles a temem, mas eu, não! Eu sou... bem, não devo dizer...”
Pela expressão de Nan Fei percebia-se que aquela não era sua primeira visita, mas qual seria, afinal, o motivo de seu retorno? Isso nos leva a dois dias atrás.

Dois dias antes!

Numa aldeia remota na fronteira oeste — chamá-la de aldeia seria um exagero, pois ali vivia apenas Nan Fei.
O deserto se estendia sem fim, algumas cabanas de palha construídas com madeira apodrecida, junto às quais resistia uma única árvore seca, que parecia aguardar a promessa da ressurreição.

O vento soprava forte, trazendo para a fronteira, mesmo em plena primavera, um frio cortante.
Subitamente, o som de cascos vindo do norte cortou o silêncio; logo após, um grupo de cavaleiros atravessou a aldeia, e pelo alvoroço das patas percebeu-se que algo urgente estava em curso!
Naquele momento, Nan Fei permanecia dentro de casa. Por fora, a cabana era tosca, mas o interior abrigava inúmeros entalhes de madeira feitos das sobras do deserto, além de pequenas mudas de choupo... O ambiente era tomado por um frescor tranquilo.
Empunhando uma pequena faca de entalhar, Nan Fei ergueu lentamente a cabeça coroada de cabelos desgrenhados ao ouvir os cascos. “Há quanto tempo...”, murmurou.
Como previra, mal terminara de falar, a porta da cabana foi aberta com ímpeto. Apesar da pressa, notava-se reverência no gesto de quem entrava.
“A oportunidade chegou!”
O visitante disse apenas estas quatro palavras, mas elas bastaram para que Nan Fei deixasse cair a faca, agarrando-se trêmulo à mesa de madeira, o corpo inteiro convulsionando. “En...enfim, finalmente chegou o dia, finalmente chegou!!!”
“Ah!!!”
Um grito rasgou o ar, carregando toda a raiva e a mágoa acumuladas em vinte anos de exílio.
“O ‘velho senhor’ pergunta: regressarás à capital?”
O visitante tornou a falar, inexpressivo.
Nan Fei sentou-se lentamente, recolhendo a faca e a escultura de madeira caídas ao chão. “Vinte anos, sonhando com as intrigas da capital; aos três, fugi da morte para a fronteira. Hoje, lamento que os montes e rios sejam tão efêmeros! A alma regressa, só aguarda o momento de lutar pelo império!”
Sem perceber, uma lágrima escorreu do canto de seu olho, caiu sobre o entalhe apodrecido, espalhou-se, penetrou, até finalmente atravessar a madeira e pingar no chão.
Como se finalmente tivesse encontrado seu destino, a lágrima cessou.
Nan Fei ergueu-se de pronto; naquele instante, separava-se para sempre de suas lágrimas. Doravante, chorar seria um interdito!
“Tianji! Tu pertences à minha família Nan! Ninguém te tomará! E, se algum dia caíres nas mãos de outrem, eu, Nan Fei, liderarei meu exército e esmagarei tua alma!”
Sem trocar sequer de roupa, Nan Fei saiu da cabana.
Um assobio cortou o ar, e, de algum lugar, surgiu um magnífico corcel de pelagem dourada, veloz como uma flecha, relinchando como se fosse um cavalo de guerra lendário.
Os guerreiros da família Nan, armados até os dentes, apontaram as espadas para o corcel dourado, tomando-o por ameaça!
“Não temam. Este Jin Liao foi domado por mim anos atrás, nas areias do deserto. Pode correr mil li por dia — agora é meu companheiro!”
Ao falar de sua montaria, Nan Fei não pôde conter o sorriso de orgulho e admiração.

Os guerreiros recolheram as espadas.
Com um salto ágil, Nan Fei montou Jin Liao, sem rédeas, sem sela, cavalgando nu.
Achava que arreios eram prisões — prendê-los ao Jin Liao seria limitar-lhe o potencial.
Assim como ele próprio: se o pai não o tivesse enviado para aquele fim de mundo em tempos de crise, não teria desenvolvido tal espírito, tal vigor físico, nem a perspicácia estratégica que anos de estudo com mapas de areia lhe concederam.
O corcel relinchou para o céu, ergueu as patas dianteiras. Nan Fei gritou: “À capital!”
A areia dourada e a névoa negra erguiam-se sob o entardecer; um relincho ecoava sob o firmamento do deserto, e por onde passava o cavalo, restava um rastro cintilante.
Enquanto galopava, os olhos de Nan Fei mantinham-se firmes no horizonte, e seu coração exultava: “Enfim, estou de volta, capital!”
“Capital, para mim, já não serás mais aquela terra familiar e estranha. Em breve, serás meu domínio!”
Com uma excitação indefinível e certa expectativa, Nan Fei partiu, leve, rumo ao retorno.

...

Ao alcançar o andar mais alto do Yan Yu Lou, um leve aroma de maquiagem invadiu-lhe as narinas, enevoando-lhe os pensamentos, como se estivesse sob hipnose.
Sacudiu a cabeça, recuperou a lucidez e, silenciosamente, ergueu a cortina diante de si — o maior salão privado do Yan Yu Lou, território vedado a qualquer estranho, exceto à proprietária Fang Qinghua!
O Pavilhão Qinghua.
Na mesa redonda, logo à entrada, estava sentado o pai de Nan Fei, Nan Tian — as sobrancelhas espessas e vigorosas arqueavam-se acima dos olhos, lembrando chifres de dragão! Ou talvez barbas de dragão! O olhar, penetrante, fazia tremer o coração de Nan Fei, que apressou-se em saudar: “Pai!”
Nan Tian apenas respondeu com voz suave: “Hum... Sente-se!”
“Sim!” Bastaram duas palavras para que Nan Fei se sentisse à vontade — afinal, era seu pai, ninguém mais.
Ao seu lado, encontrava-se Fang Qinghua, a sedutora proprietária do Yan Yu Lou, envolta em finos véus azulados, a pele translúcida resplandecendo como jade, a ponto de Nan Fei engolir em seco, discretamente.