Capítulo 4: O Irmão Mais Velho Te Dá Apoio
— Gu Luosheng, o que você quer dizer com isso? — Lin Yichen inspirou profundamente, incapaz de compreender aquela Gu Luosheng diante dele, tão distinta da mulher que guardava em suas lembranças.
Gu Luosheng, já recobrada a serenidade, respondeu com frieza:
— Apenas o que as palavras expressam.
Lin Yichen sentiu um nó na garganta. Não sabia lidar com essa nova faceta de Gu Luosheng.
Logo chegaram ao edifício do Grupo Gu. Gu Luosheng desceu do carro sem olhar para trás, afastando-se com passos decididos. Lin Yichen permaneceu sentado, tomado por uma raiva sem rumo, que só pôde descarregar ordenando ao motorista:
— Vamos, para a casa dos Lin.
— Sim, jovem senhor.
...
Gu Luosheng tentou adentrar o edifício da empresa, mas foi detida pelo segurança:
— Senhorita, em que posso ajudá-la?
— Procuro Gu Yunqi! — respondeu, informando o nome de Gu Yunqi, mas o segurança permaneceu inflexível.
— A senhorita possui horário agendado?
— Agendamento...? Não, não tenho.
Antes, bastava que Gu Luosheng se apresentasse para que as portas se abrissem. Dos altos executivos aos seguranças e faxineiros, todos a conheciam. Agora, verdadeiramente caída na poeira do mundo, já não havia rosto que lhe fosse familiar.
— Desculpe, sem agendamento não pode entrar.
A postura do segurança era intransigente, sem espaço para concessões. Gu Luosheng afastou-se para um canto, retirou o celular e tentou ligar para Gu Yunqi, mas não importava o quanto se esforçasse, não conseguia recordar o número dele.
Todos os seus documentos e o antigo telefone haviam sido tomados por Gu Yunzhou, o que a impedira de conseguir um bom emprego e de pedir ajuda a Gu Yunqi. Aquele aparelho nas mãos era fruto de dois anos de trabalho no armazém; só após Gu Yunzhou devolver-lhe o documento de identidade, pudera comprá-lo. Não havia um único contato na agenda.
Por longos minutos, Gu Luosheng buscou em vão recordar o número de Gu Yunqi. Por fim, nada restou senão esperar, resignada, diante da entrada da empresa.
Esperou até as sete da noite. Finalmente, avistou Gu Yunqi. Ele aguardava o motorista à beira da rua. Gu Luosheng correu até ele, chamando baixinho, com cautela:
— Irmão...
Gu Yunqi lançou-lhe um olhar breve, prestes a ignorá-la, mas ao ouvir novamente o chamado, deteve-se e a observou com mais cuidado. Diante do aspecto desgastado de Gu Luosheng, exclamou, incrédulo:
— És tu, Luosheng?
Os olhos de Gu Luosheng se encheram de lágrimas; quis abraçar Gu Yunqi, mas temia que ele também houvesse mudado…
Gu Yunqi, contudo, agarrou-lhe a mão que já começava a se retrair. Ao ver os calos nos dedos delicados, uma fúria surda tomou-lhe o semblante.
— Yunzhou passou mesmo dos limites! Como pôde permitir que trabalhasses no armazém, carregando fardos? Olha só para ti, estás magra até os ossos!
Gu Luosheng, incapaz de conter as emoções, atirou-se nos braços do irmão e chorou convulsivamente. Gu Yunqi, alheio à poeira e ao desalinho, enxugou-lhe as lágrimas com ternura. Diante de Gu Yunzhou e Lin Yichen, Gu Luosheng jamais chorara, mas a presença reconfortante do irmão rompeu a última barreira de seu coração e as lágrimas se precipitaram em torrente.
Alguns funcionários que deixavam o prédio não puderam esconder o espanto ao deparar-se com Gu Yunqi abraçando uma mulher.
— Aquilo não é o nosso diretor Gu? Ele está abraçando uma mulher?
— Espera aí, essa moça não me é estranha...
— Ora, não me diga que a conheces?
— É Gu Luosheng, não é? Aquela falsa herdeira expulsa de casa pelo vice-diretor Gu!
— Na nossa empresa há dessas histórias? Conte tudo!
— Melhor deixar pra lá! Se esse boato se espalhar, amanhã nem apareço aqui. Vou embora antes que dê problema...
— ...
— Irmão, que saudades eu sentia de ti! — soluçou Gu Luosheng. — Acredita em mim, eu nunca atropelei Gu Qingwan de propósito, foi ela quem se lançou na frente do carro!
— Venha, eu te levo para casa.
Ao avistar o carro, Gu Yunqi apressou-se em conduzir Luosheng até ele, mas ela hesitou, relutante em regressar àquela casa despida de calor humano.
— Não temas, com o teu irmão ao lado, ninguém te fará mal. Se Yunzhou ousar levantar a mão contra ti, eu mesmo o penduro e dou-lhe uma lição!
Gu Luosheng sorriu entre lágrimas ao ouvir as palavras do irmão. Quando crianças, Gu Yunzhou era seu protetor fora de casa, mas dentro dela, era o principal causador de suas angústias. Nesses momentos, Gu Luosheng recorria sempre a Gu Yunqi, que fazia questão de repreender Yunzhou e obrigá-lo a desculpar-se.
— Luosheng, volta para casa comigo — pediu Gu Yunqi, fitando-a com seriedade. E Gu Luosheng, como se recordasse antigas convicções, desejou crer mais uma vez na promessa do irmão.
— Está bem.
Ambos entraram no carro. Conversaram longamente, como se o tempo houvesse recuado. Naqueles dias, Gu Yunqi recém-saíra da universidade e logo fora mandado pelo pai para aperfeiçoar-se no exterior.
E ela, então, era a única e mimada senhorita da família Gu.
Pela janela do carro, Gu Luosheng observava as luzes de néon desfilando lá fora; dentro do veículo, tudo parecia distante, como se pertencessem a mundos opostos.
Eram oito horas quando chegaram à mansão Gu.
Gu Yunqi abriu a porta principal com a digital. Na sala, Gu Qingwan e Gu Yunzhou jogavam videogame juntos, enquanto Wang Ma se ocupava na cozinha.
— Irmão, voltaste! — Gu Yunzhou, sorridente, saudou Gu Yunqi ao notar sua chegada. Gu Qingwan também o cumprimentou docemente.
O semblante de Gu Yunqi era severo. Puxou Gu Luosheng, que ainda hesitava à entrada, e tomou o celular das mãos de Gu Yunzhou.
— Gu Yunzhou, pede desculpas à Luosheng!
— Gu Luosheng? — Gu Yunzhou ficou surpreso. Ao avistá-la, zombou: — Pensei que tivesses mesmo coragem de deixar a família Gu, mas vejo que vieste buscar apoio no irmão… És mesmo engenhosa!
Gu Luosheng não podia rebater. De fato, não desejava regressar; não fosse pela determinação de Gu Yunqi, jamais teria posto os pés ali novamente.
— Gu Yunzhou! — Gu Yunqi elevou o tom de voz, impondo-se como o irmão mais velho. — Não me obrigue a repetir! Foram cinco anos; sabes o que são cinco anos na vida de alguém? Deverias pedir-lhe desculpas!
— Por que razão devo pedir desculpas? — protestou Gu Yunzhou. — Ela atropelou Qingwan e nem sequer se desculpou com ela!
Antes que Gu Yunqi respondesse, Gu Qingwan interveio apressada:
— Não diga mais nada, segundo irmão. Sei que Luosheng não fez aquilo de propósito. Talvez tenha confundido o acelerador com o freio...
— Eu estava lá e vi tudo: Gu Luosheng acelerou contra ti, foi intencional! — Gu Yunzhou insistia, dirigindo-se a Gu Yunqi: — Então, irmão, que ela peça desculpas a Qingwan!
Gu Yunqi franziu o cenho. Tanto Gu Qingwan quanto Gu Luosheng lhe haviam relatado versões opostas do ocorrido, impossibilitando saber em quem confiar.
Afinal, carne de sua carne eram ambas.